Dia 19 de junho, segunda-feira, início de semana, chuva e frio nas cidades-irmãs e… 121 anos do Cinema Nacional. De 1896 para cá, há muito que se comemorar. Tivemos ascensões e quedas e ascensões, novamente. Assim como o nosso amado país, o cinema não poderia ser diferente. Extinções do Ministério da Cultura, Embrafilme, o Concine e a Fundação do Cinema Brasileiro, no início dos anos 90. O cinema brasileiro entrou na UTI e respirou por aparelhos. Mas, na segunda metade da década de 90, o cinema ganha forças e, em 1995, como a Fênix, renasce com o filme de Carla Camurati: Carlota Joaquina, Princesa do Brasil. No decorrer, muitos atores tiveram seus talentos descobertos nas telonas brasileiras, entre eles Dercy Gonçalves, Grande Otelo, Mazzaropi entre outros milhares que até hoje têm seu nome no mundo do estrelato. Mas o “fazer cinema” antigamente não era fácil, além de inúmeros problemas, baixo orçamento, e falta de luz, o governo intervinha diretamente nas produções, limitando e extinguindo Instituições que garantiam captação de recursos para as produções audiovisuais. Hoje, as coisas tornaram-se mais fáceis, o Brasil criou festivais e participou de inúmeros outros. Foi indicado ao prêmio máximo do cinema e conquistou bilheterias e fãs mundo afora. Porém, ainda hoje observamos pessoas que torcem o nariz quando se fala em cinema brasileiro, penso que elas ainda associam o filme nacional com a época da pornochanchada ou os palavrões que vinham em altas escalas, deixando qualquer ser ruborizado diante das visitas. As películas nacionais deram um grande salto de qualidade, tanto em seus roteiros quanto em sua qualidade digital (tanto som quanto imagem). Um dos filmes mais assistidos e que bateu as bilheterias nacionais foi o filme “Os 10 Mandamentos”, o qual levou mais de 11 milhões às salas dos cinemas nacionais. Não há como comparar o cinema nacional com os filmes produzidos em Hollywood, mesmo porque, logo após a Primeira Guerra Mundial, o cinema nacional teve um grande declínio, o que permitiu a ascensão das produções estadunidenses, porém podemos falar, por exemplo, dos filmes dos nossos “hermanos”, como o belíssimo e delicado Elsa e Fred, um Amor de Paixão, sem efeitos especiais, sem palavrões, apenas o brilhantismo de China Zorrilla e Manuel Alexandre. Talvez a cultura conte e muito! Penso que o Brasil é um país tão diversificado, que não há como ficarmos apenas em uma forma quando se trata de cinema. Já fomos da chanchada à pornochanchada, do documentário à ficção científica, do drama à comédia, Central do Brasil, Dois Filhos de Francisco, Dona Flor e seus dois Maridos, Tropa de Elite são só alguns, com os quais podemos perceber o leque que é aberto quando se fala em cinema nacional. Muitas barreiras já foram quebradas, e há muitas outras a serem, mas a maior de todas é a do preconceito, o que não será do dia para a noite. Esse declínio que o cinema brasileiro viveu, não ajuda muito para que todos tenham bons olhos sobre ele. Vemos salas abarrotadas quando se trata de histórias estrangeiras, mas quando a história é brasileira, muitos preferem esperar sair de cartaz e assistir na TV (aberta de preferência). Ainda há muito que se caminhar, mas, como mera espectadora, acredito que o cinema evolui positivamente, com filmes renomados e atuações majestosas. Moramos em um país de diversidade cultural, com pessoas capacitadas e criativas, que conseguem passar para as películas essas criatividades. Quando assistimos, por exemplo, a um filme como Dois filhos de Francisco, ou Irmã Dulce, ou Tropa de Elite, ou Verônica temos a certeza, de que é preciso pouco para se ter um resultado agradável e uma indicação ao prêmio máximo do cinema mundial. Acredito que aos poucos esse preconceito, essa visão do passado que as pessoas têm sobre as histórias sexuais e repletas de palavrões vão se dissipar. Não será a médio ou curto prazo, mas acredito que as pessoas estão acreditando mais nos filmes produzidos aqui. Que o diga “Minha mãe é uma peça 2”, com mais de nove milhões de espectadores e cuja história conta a vida de muitos, ou seja, colocam o espectador dentro do filme e ele, consegue sentir isso. Acredito que o cinema nacional merece os parabéns de todos nós. Costumo dizer que nunca um filme é 100% perdido e mesmo que você não tenha gostado em sua totalidade, algo de bom ele trará para sua vida, nem que seja o que você não deva fazer. 121 anos… ainda é um novato no mundo das Artes, ainda tem muito o que aprender, tropeçar e acertar. Mas está no caminho certo. Aplausos para o cinema nacional!
23 de junho de 2017 – Marli Boldori