CONEXÃO IFPR

A informação que vem do alto: as imagens de satélite e o conhecimento sobre a superfície terrestre

Por Patricia Baliski

Conhecer o planeta Terra! Eis algo que motivou os seres humanos a se deslocarem sobre a superfície terrestre, ainda que, ao longo do tempo, os objetivos que alimentaram esse desejo tenham sido os mais diversos possíveis: necessidade de sobrevivência, conquista de territórios, controle de recursos naturais, desenvolvimento da ciência, dentre outros. Não é possível enumerar tudo o que motivou a busca pelo conhecimento sobre nosso planeta, porém, durante muito tempo, conhecer novos lugares e tudo o que eles apresentavam dependeu diretamente de ir até eles. Assim, por exemplo, as primeiras informações sobre a Floresta Amazônica que chegaram ao continente europeu foram decorrentes dos relatos realizados por pessoas que integravam as expedições de reconhecimento e exploração dessa região.
Essa necessidade de estar nos lugares para ter informações sobre eles foi se alterando conforme novas técnicas e tecnologias foram sendo criadas e desenvolvidas. Hoje, com os recursos tecnológicos que temos, podemos “conhecer” uma cidade localizada a muitos quilômetros de distância, sem sair de nossas casas. Os recursos disponibilizados pelo Google Earth e Google Maps são exemplos muito claros disso. Podemos verificar a forma de organização espacial de uma cidade, como são suas construções ou ainda a redução das florestas em seu entorno sem nunca ter ido até tal lugar.
A rápida popularização do uso desse tipo de tecnologia demonstra que ela atende ao desejo e à curiosidade de se conhecer o planeta Terra. Mas, notem, trata-se de um conhecimento que é bem específico, pois é aquele que permite ver os lugares do alto, de cima, de compreender a magnitude da extensão territorial dos elementos e fenômenos terrestres. Aliás, esse tipo de informação foi necessário em vários momentos da história da humanidade, sendo utilizado para os mais diversos objetivos.
A busca constante para se conhecer a superfície a partir de uma visão de cima, do alto, favoreceu ao desenvolvimento das técnicas e tecnologias relacionadas ao que é definido atualmente como sensoriamento remoto, ou seja, os meios (processos e técnicas) pelos quais é possível obter e registrar informações sobre objetos, áreas ou fenômenos presentes na superfície terrestre sem existir o contato direto com eles. Embora hoje as imagens de satélite sejam as mais utilizadas para esse fim, ao longo do tempo, houve outras técnicas que permitiram a obtenção desse tipo de informação. Foram os casos do uso de máquinas fotográficas em balões e pombos no século XIX e início do XX, respectivamente, e em aviões ao longo do século XX.
Inicialmente bastante utilizado pelo setor militar, nas últimas décadas, sobretudo a partir de meados do século XX, o sensoriamento remoto tem sido usado também para fins civis, possibilitando a ampliação do conhecimento sobre a superfície terrestre para vários segmentos da sociedade. São os casos de mapeamento de formações vegetais, levantamento de áreas urbanas, identificação de recursos naturais, dentre outros. O crescente uso de tais técnicas pode ter implicações diretas sobre a sociedade, afinal, as informações trazem subsídios para o planejamento urbano e territorial e a busca por soluções de problemas. À curiosidade natural sobre o que há na superfície terrestre se somam o conhecimento e a possibilidade de intervenção em problemas concretos e graves.
Isso ficou evidente quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) alertou sobre as queimadas que estão ocorrendo na Floresta Amazônica. A magnitude do problema somente foi conhecida porque o órgão, através do uso das técnicas de sensoriamento remoto (monitoramento através de imagens de satélite), verificou o crescimento exorbitante de queimadas na região. Se não fosse por esse tipo de tecnologia e pela competência com que o órgão a utiliza, dificilmente teríamos noção do tamanho e gravidade do problema e pouca atenção teria se dado ao fato, afinal, estamos falando de áreas imensas de floresta e de difícil acesso. Nesse caso em específico, a tecnologia foi extremamente importante para localizar o problema e chamar a atenção nacional e internacional, ampliando o debate sobre a importância dessa região para o planeta.
Dessa forma, mais do que nunca, conhecer o planeta Terra de cima, do alto, mostra-se importante, não somente para realizar um desejo de curiosidade sobre áreas que não conhecemos (que continua existindo e é válido), mas também para assegurar que determinados problemas sejam amplamente conhecidos e soluções possam ser pensadas e desenvolvidas.

18 de outubro de 2019 – Conexão IFPR

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