A granfina burra , clássica personagem de Nelson Rodrigues, que ao ir ao Maracanã com o marido, ao tomar o elevador para ir às cadeiras sociais, perguntava para este: “quem é mesmo a bola”, agora parece espraiar-se por aí.
Explico: A vereadora, Thays Bieberbach, PT, vem recebendo, desde sua eleição, sucessivos ataques em suas redes sociais. A maioria deles de cunho pessoal e desse modo, totalmente, despropositados, além de ofensivos e como tal, merecedores de medidas judiciais que a vereadora já tomou.
Até seu filho foi ameaçado em clara demonstração de crueldade, e barbárie de quem não tem e nem sabe o que dizer.
Estes ensandecidos que criticam Thays, são os mesmos que criticam Caetano Veloso e Chico Buarque, símbolos da arte e cultura nacional, são também os mesmos que criticaram o ex-deputado, Jean Wyllys, e, a vereadora Marielle Franco, barbaramente, assassinada em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro.
Aos poucos fui entendendo porque a granfina de pouca cultura e seus iguais, sem argumentos para defender bolsonaro, voltam suas baterias para governos anteriores, diga-se aí, apenas, os do PT.
Movimentos da extrema direita, como MBL e Vem pra rua, justificavam suas atuações, alegando que combatiam a corrupção endêmica do PT. Perpetrado o golpe que culminou no impeachment da presidenta Dilma Roussef, jamais levantaram uma única bandeira contra o governo de Michel Temmer, denunciado por inúmeros atos de corrupção. Temmer faz parte da elite branca e como tal é cultuado pela classe média, cuja boa parte de seus membros não tem a mínima consciência histórica, prova disso é a defesa que fazem da Ditadura Militar e, consequentemente, de seus aparatos repressivos, como a tortura e o AI5, para dizer o mínimo.
Num país, extremamente, desigual, boa parte da classe média, talvez a maioria, declara-se contra o sistema de cotas nas universidades, alegando que seus filhos que estudam nos melhores colégios particulares e não precisam trabalhar para ajudar a família enquanto são estudantes, são prejudicados pelos menos favorecidos que não conseguem obter as mesmas notas que eles nos concursos vestibulares. Enchem a boca e falam de meritocracia, palavra que nunca esteve tão na moda como na campanha de Aécio Neves, logo de quem. Parece piada, mas não é e como disse Marx, em seu clássico livro, 18 Brumário, de Luis Bonaparte, a história se repete primeiro como farsa e depois como tragédia, que o Brasil vive hoje, não apenas com a pandemia, mas, principalmente, com a nau sem rumo que é o governo de bolsonaro. Não é aceitável e tampouco perdoável o absurdo proferido por Paulo Guedes, ao dizer que empregadas não domésticas não precisam ir para a Disney, como um dia já foram.
Sugiro para a granfina de pouca cultura, primeiro a leitura da história do Brasil e num segundo momento a leitura dos livros A elite do atraso e A classe média no espelho, ambos do sociólogo e escritor, Jessé de Souza e ainda, Fascismo eterno, de Umberto Eco.
Se ainda ao ler tais obras, não conseguirem se identificar e entender o equívoco onde estão mergulhados, sugiro, Como as democracias morrem, dos pensadores americanos Steven Levitsky e Daniel Ziblat., embora eu cético que sou, duvide da capacidade cognitiva da granfina e seus iguais, acostumados a acreditar nas fake news que pululam nas redes sociais. Estes insistem em defender um governo conservador, racista, homofóbico, misógino e completamente inepto, que se esconde nas franjas da hipocrisia moralista.
25 de setembro de 2021 – Delbrai Augusto Sá