Por: Alex Mateus Porn
Vivemos em um momento em que uma simples falha de conexão com a Internet ocasiona que variados segmentos da sociedade como comércio, escritórios, indústrias, entre outros, deixem de executar uma série de atividades até o restabelecimento da conexão. Tal situação ocorre na maioria dos casos em que o banco de dados dos sistemas utilizados por estas empresas, responsáveis por manter armazenado todo o tipo de informação coletada, está hospedado em servidores externos a essas instituições.
A hospedagem em servidores externos é uma escolha recorrente das empresas principalmente pelo fator denominado segurança da informação, para a qual as empresas de hospedagem oferecem serviços de backup, replicação de dados, conexões redundantes, como uma ampla capacidade de conexões simultâneas quando há um elevado fluxo de usuários. Serviços deste tipo geralmente custam muito menos para as empresas do que investir em equipamentos próprios e manter pessoal capacitado para esta atividade. Estes serviços de hospedagem mostram-se muito mais eficazes para redes de instituições que integram e compartilham as mesmas informações entre a matriz e todas as filiais.
Essa possibilidade de integração e compartilhamento de dados proporciona que cada vez mais novos serviços e até empresas físicas migrem suas atividades para a web. É muito comum vários serviços oferecidos na Internet serem compartilhados para um único perfil de usuário, como por exemplo, é o caso dos serviços oferecidos pela Google, como Gmail, Drive, Agenda, Youtube, entre outros como Facebook e Instagram. Há ainda os serviços de armazenamento e compartilhamento de dados na nuvem, como DropBox e Mega ou de microblog como o Twitter.
Este método de compartilhamento de vários serviços para um único perfil de usuário permite que as empresas detentoras desses serviços passem a realizar outra tarefa, o monitoramento. É muito comum que ao logarmos em alguma rede social como o Facebook, por exemplo, ou no próprio Gmail, passemos a navegar em outros sites simultaneamente, realizando diversos tipos de pesquisas, procurando por produtos de interesse pessoal, músicas, jogos ou entretenimento. O fato de estar logado em algum desses serviços possibilita que toda navegação realizada seja monitorada por essas empresas, que utilizam os dados captados para gerarem estimativas de perfis de usuários, com o interesse de sempre oferecer produtos e serviços customizados para cada um destes perfis. Um exemplo dessa prática é quando realizamos uma busca na web por algum produto de interesse pessoal, como um eletrodoméstico, por exemplo, e logo em seguida várias propagandas referentes a esse mesmo eletrodoméstico passam a ser anunciadas no perfil da rede social, ou “spans” são enviados por e-mail.
Esse tipo de monitoramento sempre foi realizado, de modo geral, com a finalidade de obter estimativas por grupos de pessoas, como por exemplo, o monitoramento das pesquisas realizadas utilizando o motor de buscas do Google, com a intenção de verificar quais são os tipos de pesquisas mais realizadas em determinado período. Estando logado em contas da marca, é possível que esse monitoramento seja realizado individualmente, permitindo a obtenção de dados mais detalhados e precisos sobre cada um de seus usuários.
Essa prática de monitoramento pode apresentar dois vieses: por um lado ao acessar a Internet, sempre serão fornecidas notícias, promoções e serviços de acordo com o perfil de cada um; por outro lado, essa prática pode ocasionar uma preocupação com a privacidade, visto que uma enorme quantidade de dados pessoais são coletados. Para este segundo caso, algumas medidas simples podem ser tomadas para reduzir a exposição na rede mundial de computadores. A primeira medida é desabilitar o monitoramento da localização tanto no celular quanto em computadores pessoais, tendo também a possibilidade de apagar todo o histórico de lugares que já foram registrados. Outra medida que ameniza a exposição é desabilitar o controle de atividades do navegador Google Chrome, uma vez que seja este navegador que utilize para navegar na Internet. Em se tratando de redes sociais, vale também bloquear o rastreamento realizado pelo Facebook, o que irá fazer com que não sejam mais apresentados anúncios na “timeline” referentes ao que foi pesquisado na Internet.
Talvez você possa dizer que não tem nada a esconder, e esse tipo de monitoramento não lhe causa problemas, mas, por outro lado, você também não ganha nada permitindo ser monitorado e acaba ajudando, gratuitamente, essas empresas a aumentar a quantidade de dados que possuem a seu respeito.
13 de março de 2020 – Conexão IFPR