COISAS DA BOLA

Filósofos! Me deu na “bola”, escrevi

Nesses tempos escuros e pandêmicos, tantas coisas e atividades do dia a dia foram deixadas de lado, quer por segurança na tentativa de proteger a vida ou por não ter o público alvo. Essa alteração da ordem comum e natural, fez com que a filosofia ganhasse espaço. Tanto a mídia tradicional como as vanguardistas redes sociais começaram a dar ênfase a todo momento, abrindo espaços para que programas voltados à construção dos saberes lógicos e racionais da vida, preponderem e, palestras, reuniões e debates entre os que se consideram filósofos contemporâneos, com formação ou não, discutam o assunto nos mais variados meios de comunicação.
Em um tempo, onde a razão não tem ganho muita importância e muitas vezes tem sido deixada de lado, tentando reaprender o mundo para me situar por essas paragens, pois vítima que também o sou deste princípio de fim dos tempos (palavras da minha finada mãe), sou bombardeado diuturnamente com informações e afirmações, às vezes muito descabidas, onde os interesses pessoais pela vantagem em tudo, perpetrados por alienados em uma ideologia, que sabidamente falsa, querem botar o beiço nos úberes e sugar a maior quantidade de leite possível, mesmo que os tetos não estejam devidamente limpos e secos. Não importa, o negócio é “mamar”. Quem já amarrou o rabo de uma vaca para não ser “embostado” e está sentado no pequeno banquinho para ordenhar, já às quatro da manhã, sabe que é preciso todo um ritual que envolve muito trabalho, deixando claro que a vaca não dá leite (metaforizando e plagiando um filósofo). É notório, quem já está sugando na “boa” esse alimento rico em proteínas, não quer tirar a boca dali.
Assistindo a um programa desses, onde vários filósofos brasileiros, contemporâneos, que bem trajados, acompanhados das jornalistas apresentadoras, que também se julgando experts no assunto, bem vestidas e muito bem maquiadas deixando antever que, ao lavarem o rosto no seu toalete, não terão tudo aquilo de beleza, atentamente, ouvi, o pronunciamento individual e, percebi a soberba de alguns, pois ao ter a palavra, numa ânsia de mostrar o seu conhecimento aos colegas ali presentes, citava filósofos que iam de Tales de Mileto, Sócrates, Platão, Kant e demais, tentando dar imensurável valor ao europeizar. Citando Nietzsche e o niilismo, era um tal de Zaratustra daqui e Zaratustra dali, talvez sem ter a noção de que esse nome para grande maioria da população brasileira parece um palavrão, quem sabe o público alvo fosse a minoria, já que grande quantidade de jovens ao saírem do ensino médio não sabem interpretar um texto, sem jamais ter tido o incentivo ou a vontade de ler um livro, dando voz para certos néscios políticos, que tem em mente que se deve aumentar os impostos sobre livros, fazendo alusão de que os pobres não leem, que isso é um privilégio dos abastados.
Já indo por duas horas de programa, sem que nenhum se manifestasse quando o outro pensador fazia uso da palavra, o último dos cinco, vestido de forma mais simples aos demais, barbudo e com uma leve saliência no abdome, aparentando ser o mais vivido, talvez, não pelos anos, mas pela experiência adquirida, deixou todos de queixo caído (eu também), encantando pelo conhecimento, pela didática simples e pela bela articulação das palavras, quando prendeu a atenção de uma forma tal, que mesmo sem citar nomes de filósofos famosos deu exemplos sobre o nosso cotidiano, livre arbítrio, moral e ética. Questionamentos de quero, posso e devo! Com exemplos práticos, usando o filtro das três peneiras antes de falar de alguém, fez com que fosse ampliado o horário do final do programa, que interagido por comentários em tela, mostrou a satisfação total daquele grande público que se manifestou. Embora esse pensador contemporâneo não saiba, me “associei” a ele. Se o HOMEM lá de cima me der ainda mais uns bons anos por aqui, procurarei com afinco achar mais tempo para aumentar a minha felicidade, mesmo que não tenha acesso à riqueza monetária. Se não der lucro financeiro não tem importância, pois a satisfação pessoal baseada na moral e ética, estando conectado com a realidade, também afastará de mim aqueles que, talvez ao longo desse percurso, tentaram e tentam incutir na minha e na mente das pessoas de pouca leitura, muitas inverdades, num esforço hercúleo para levar o brasido somente para as suas carnes. Quem nunca lê, sente dificuldades em discernir o certo do errado, o bom do ruim e, terá fatalmente que acreditar no que os outros dizem, dando mais chances para que possa ser facilmente “encilhado”, pois o povo distraído não percebe o que acontece à sua volta. Que estejamos atentos ao rumo que estamos tomando, porque senão! Fica do jeito que está. O preço da nossa liberdade é a eterna vigilância. Que tenhamos um juízo de razão, seguindo as regras do bem e não vendo o outro somente sobre o nosso prisma. Muito cuidado…Filosofemos…

COISAS DA BOLA são fatos vividos por mim, histórias contadas por amigos e outras frutos da minha imaginação. Qualquer semelhança será puro acaso.

26 de novembro de 2021 – Jair da Silva

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