COISAS DA BOLA

Perfídia de um povo

Embora as minhas crônicas ou resenhas, às vezes hilárias, sejam voltadas para o futebol que tem como título Coisas da Bola, achando que o momento é oportuno e muito relevante, tomo a liberdade em mudar o assunto.
Com o advento do governo militar na década de 1960, muitas pessoas como eu, foram ocupar-se de suas coisas pessoais e, na labuta pelo pão de cada dia, deixamos de nos preocupar com política, até porque, para muitos cidadãos trabalhadores pacatos e de bem, a vida devia seguir, normalmente, como se estivessem em um processo de hibernação, só que, para os ideólogos e contrários àquele regime, não.
Nos anos de 1980, mais precisamente em 1985, com o início da redemocratização do país, de forma particular comecei, novamente, a me interessar pela política, talvez antevendo o que estava para acontecer, pois já vinha tendo a noção clara que a minha omissão nesses anos todos começava a fazer a diferença, porque, o grupo que pregava utopias, em interesse próprio, não tinha parado de trabalhar e, na surdina ou não, infiltrados ou à vista, pregavam a sua doutrina, e indo muitas vezes para as vias de fato, galgaram o degrau almejado no poder, e como um chato (Pthirus púbis) infestaram e começaram a sugar à vontade, não se preocupando mais em se disfarçar.
Não querendo mais ter a percepção da impossibilidade, não quero ficar à margem dos acontecimentos e decisões. Quero sair desta senda. Resignar-me pelo que essa minoria, pelo aparelhamento, já amealhou e quer mais, na atualidade não está mais no meu cardápio. Há que se cingir os lombos para sair rapidamente na tentativa de conter essa sangria. Não podemos mais pecar pela omissão. Juntamente com a indignação de muitos, pois estamos vivendo algo muito perigoso, que não é só a ausência da cultura e do interesse pela política, mas o desprezo por elas, nos deixa sem o discernimento necessário, abrindo espaços para sermos sorrateiramente manipulados. Entendo que nos últimos anos, marcados pelas dificuldades, os avanços educacionais não foram satisfatoriamente, é lógico, sempre com interesses escusos, pois como se tivéssemos uma viseira escura nos tapando os olhos somos puxados por qualquer caminho e, quando não se tem uma trajetória definida, qualquer chão serve. Ainda mais, pelo fato de ter que se ir em busca do sustento, onde muitas batalhas são travadas, num esforço maciço, às vezes descomunal, não percebemos as rédeas sobre nossos ombros. É tanta “mamata” que está difícil de fechar as torneiras, ainda mais, quando esperneando pelo leite fácil, os sugadores em uma casta oportunista tenta incutir nas nossas cabeças para vivermos em um mundo que não existe, levarmos a vida como ela não é. E, ficamos numa indigência política, cultural e educacional, pois nessa tentativa de doutrinação não conseguimos aprender o básico, deixando de assimilar e aprimorar a convivência, a diversidade, o afeto, a partilha, o medo e a coragem, enfim tantas coisas que nos fortalecem e nos desviariam de um mundo utópico. Se nos resignarmos, a tutela não será efêmera e, o que nós pensamos, nossos valores e princípios irão ao léu. Nunca iremos ter uma visão plena de mundo e de sociedade. Precisamos aumentar a chama e o amor por nossa liberdade. Não podemos mais incorrer em omissões. É contra nós, pessoas de bem, que esta peleja é travada.
Não a ânsia pela educação e cultura, mas sim o desprezo por elas, faz-nos cada vez mais servis aos interesses de um clã que tenta se perpetuar, ser inteiramente dominante, principalmente alienando aqueles de pouco esclarecimento, que são facilmente sugestionáveis e aderem a uma ideologia de conveniência, sendo uma fácil massa de manobra. Preconizando uma sociedade sem classes, com o apoio dos incautos, os pérfidos erigirão.
Talvez eu esteja pregando solitariamente em um deserto, mas esse indício por aí está, porque aqueles que tem a sanha em ascender ao poder não tem nenhum compromisso conosco, mas tem um projeto para si. Não podemos ficar desapoderados, eles atentam contra nós.
Por quê será que maioria dos brasileiros acredita que o maior problema do país é a corrupção? É que, insultados pela impunidade nos tornamos vítimas e reféns dela. Pois juntou-se um saco de gatos, que não é exclusividade só desse governo. Um parasitismo aparelhado em alguns “Poderes”, onde uma escumalha sempre se fantasiando de uma força ideológica, ajudada por alguns órgãos de imprensa, fazem e acontecem, deixando cada vez mais claro que além de uma Pátria, jamais seremos uma verdadeira Nação.

COISAS DA BOLA são fatos vividos por mim, histórias contadas por amigos e outras frutos da minha imaginação. Qualquer semelhança será puro acaso.

18 de março de 2022 – Jair da Silva

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