CONEXÃO IFPR

Preservar e pesquisar para não perecermos

Por: Ricchard Souza

Certa vez, o famoso físico dinamarquês Niels Bohr, que revolucionou a teoria da estrutura atômica, disse: “Todas as grandes e profundas dificuldades levam dentro de si sua própria solução que nos obriga a mudar o nosso pensamento com o objetivo de encontrá-la”.
Ao longo do tempo, em inúmeras conversas com agricultores, as ideias que norteavam e justificavam as ações deles eram: “Para que serve o mato? Temos mesmo é que desmatar para plantar, criar gado, fazer alguma coisa útil com a terra. O agrotóxico é necessário para diminuir gastos, controlar as pragas e viabilizar a produção”.
Ideias como essas contêm erros graves que podem nos levar a um colapso de produção e de sobrevivência. Ao dizer essas palavras, eles se esquecem de elementos essenciais para a manutenção da vida no planeta; as árvores e a água! De onde viria a água de boa qualidade, essencial para todos os processos químicos e bioquímicos, suficiente para tais atividades?
Podemos dizer que só existem agricultura e agropecuária graças à floresta Amazônica. A umidade diária gerada pela floresta é tão grande que a quantidade de água suspensa na atmosfera é superior àquela que o rio Amazonas despeja no mar. Esse imenso “rio flutuante” distribui umidade por todo o país, levando chuvas em abundância e gerando riquezas em toda a sua extensão. Não por acaso, as regiões Sudeste e Sul do Brasil concentram grande parte da economia do continente sul americano. O mais interessante é notar que essas regiões encontram-se na mesma latitude dos maiores desertos do planeta, ou seja, toda essa faixa de terra era para ser desértica também. E por que não é? A resposta, caro leitor, você já deve ter deduzido a essa altura.É por causa da umidade da floresta Amazônica que leva chuva a toda essa região.
Na colonização da Amazônia, logo o homem percebeu que o terreno não era fértil para plantação e nem mesmo para a criação de gado; o solo é arenoso. Uma vez retiradas as árvores, rapidamente o terreno se degrada, transformando-se num pequeno deserto. Não há crescimento sustentável para a região amazônica, crescimento implica desmatamento. Nesse ritmo, vamos acabar matando a galinha dos ovos de ouro. Quantos animais e plantas ainda nem descobertos pela ciência que poderiam ser estudados para se obter substâncias com poder de cura foram destruídos com as queimadas e o desmatamento? Inevitavelmente, outras consequências como a elevação da temperatura combinada à baixa umidade do ar que seca tudo em pouco tempo, o assoreamento dos rios, a escassez de água, a baixa qualidade do ar e da água, a disseminação de doenças endêmicas, entre outros graves problemas surgirão. A matriz energética brasileira, que basicamente depende de hidrelétricas, seria gravemente afetada com a mudança do regime de chuvas, podendo entrar em colapso.
E o que isso tem a ver com a região do Vale do Iguaçu? Tudo! Quero ressaltar que a preservação da Amazônia é fundamental para a manutenção dos rios, da natureza exuberante e das belezas naturais da região Sul. O Paraná que já teve 98% do seu território coberto por Mata Atlântica possui hoje cerca de 11% da mata original. A vegetação na região do Vale do Iguaçu é composta por Floresta Ombrófila Mista, uma subformação da Mata Atlântica que compreende também florestas de araucária.
Essa mata contribui para uma temperatura agradável na maior parte do ano. As matas, os rios, os morros, as cachoeiras, as florestas de araucária, os pássaros e os animais compõem um cenário deslumbrante que enchem os olhos de qualquer pessoa que aqui vive ou visite. É a verdadeira riqueza dessa região. Não podemos destruí-la, envenená-la em prol do “desenvolvimento”. Temos que preservá-la, estudá-la melhor, certamente há tesouros nessas matas que não podemos negligenciar.
O desafio é utilizar técnicas, equipamentos, desenvolver novas tecnologias para avaliar a qualidade das águas do Vale do Iguaçu. Implementar pesquisas que possibilitem encontrarmos respostas e soluções para modelos de desenvolvimento que satisfaçam as necessidades locais, mas que preservem o equilíbrio saudável para a região. Segundo o médico e filósofo alemão Albert Schweitzer, quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar o seu semelhante.

21 de fevereiro de 2020 – Conexão IFPR

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