Por: Jéssica da S. L. Frederico
Há muito tempo o homem tenta definir o que é o lixo. A palavra lixo tem origem do latim Lix, que significa cinza. Seu significado era adequado à realidade da época, visto que, na Europa Antiga, os resíduos domésticos eram basicamente restos de cinzas e carvão dos fogões à lenha e lareiras. Portanto, o termo “lixo” era sinônimo de restos, sobras, aquilo que não servia mais. Contudo, todos os outros resíduos que passamos a produzir no período pós-industrialização passaram a receber esse mesmo tratamento dado às cinzas, consolidando então a ideia de que lixo é algo inútil e sem valor. No entanto, o conceito legal de lixo tem uma conotação bem diferente.
Para a Política Nacional de Resíduo Sólidos (Lei nº12305/2010) todo resíduo sólido é dotado de valor, sendo que alguns apenas ainda não apresentam possibilidade de tratamento ou recuperação de valor face às tecnologias disponíveis atualmente. Essa mudança de concepção legal evidenciou uma tendência mundial que há muito tempo já se colocava como um imperativo: o lixo é um ativo!
Em geral, administradores têm sido resistentes em vislumbrar o valor econômico agregado aos resíduos, absorvendo apenas os custos (passivo) do seu tratamento ou disposição adequada. O mercado dispõe de técnicas já consagradas como a incineração com aproveitamento da energia térmica convertida para energia elétrica, até propostas mais inovadoras – como a de uma Startaup americana que descobriu como transformar sobras de madeira em um tipo de açúcar que é então fermentado para produzir etanol e outros químicos que também podem ser utilizados na fabricação de perfumes.
Outro exemplo é o Wineleather, que desenvolve couro ecológico a partir dos subprodutos da fabricação do vinho, utilizando as fibras e óleos contidos no bagaço da uva. Na Alemanha, um programa nacional de incentivo à reciclagem paga aos consumidores entre 8 e 25 centavos de euro que entregarem garrafas de plástico e vidro na Pfandautomat (uma máquina automática de depósito). A máquina identifica o tipo de recipiente e o valor correspondente pode ser recebido em dinheiro no caixa ou descontado na próxima compra.
Percebemos, portanto, que o mercado está repleto de ideias promissoras, mas para que o lixo assuma seu papel de ativo, gerando receitas para as empresas, é preciso explorar as tecnologias disponíveis no mercado para identificar as soluções mais viáveis ao tipo de resíduo produzido. A organização da cadeia produtiva pode dar vida a novos modelos de negócio, além de solucionar problemas e gerar renda. E você, já sabe quanto vale o seu lixo?
6 de dezembro de 2019 – Conexão IFPR