SOLIDÃO E SOLITUDE

Mãe

Lembro, como se fosse hoje, dos pães que você fazia e nos deixava saborear ainda quentes, do suco de uva que ajudávamos na produção (a ajuda era obrigatória), dos doces de abóbora, das bolachas de Natal que podíamos decorar mesmo que não ficassem bonitas, das roscas de polvilho azedo, dos bolos de aniversário, das tortas de bolacha, gelatina colorida, ceroulas viradas, Schnecken, pavê de coco, bolinhos de chuva nas tardes chuvosas, arroz-doce, sagu, geleias, batata-doce assada no fogão à lenha, ovos cozidos e sanduíches que você preparava para os piqueniques da escola, conservas de frutas e de pepino, palma benta queimada nas noites de tempestade, das lindas roupas confeccionadas para nós, e da máquina de costura que você permitia que usássemos à vontade. São tantas lembranças que não caberiam em mil páginas. Faz alguns anos que você já não lembra o que fez por nós e para nós, mas nós lembramos, e nunca esqueceremos. Somos e seremos eternamente gratos. Feliz Dia das Mães

Apenas um Detalhe
Diferentemente das outras peças do vestuário, a camiseta é um bem quase eterno. Escolhida a dedo, é preciso que seja bonita e principalmente confortável; prefiro as básicas. A vida da vestimenta passa por várias etapas: primeiro vai aos passeios, festas, bares, restaurantes, a qualquer lugar, só depende da combinação: sapatos altos, baixos, tênis, sandálias, jeans, leggings… É extremamente versátil. Depois de alguma (ou muitas lavadas) passa a frequentar a rotina do lar, às vezes vai à padaria perto de casa. Com o passar dos anos torna-se o par perfeito para as calças do pijama. Finalmente, quando beirando à morte, ressuscita para transformar-se num pano de pó, num bom pano de pó. Talvez a vida possa assemelhar-se a uma camiseta, ou não! É possível manter a primeira etapa, enquanto houver vida. A aparência física é apenas um detalhe.

4 de maio de 2021 – Alciomara M. Buch

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