NACO DE PROSA

Natal com mais dignidade

Dezembro chegou e trouxe muitas expectativas, porém mais um ano em que a insegurança impera, devido à pandemia, que ainda nos ronda.

Natal época de festividades, reuniões de famílias, amigos e vizinhos, pois é quando as crianças estão à espera do Papai Noel, há muitas não foi ensinado que a data se refere ao nascimento de Jesus, o aniversariante, que muitas vezes fica fora da festa, porém o ICPN (Índice de Crença no Papai Noel) está em decréscimo. Nem há necessidade de explicar o porquê, pois conhecemos a atual realidade da maioria das famílias. O que registro aqui é a história real de uma família, que representa a situação de centenas, que vivem ao nosso redor. Na semana que passou uma família veio nos procurar, custei a reconhecer as pessoas, até o momento em que se apresentaram. Ele havia trabalhado com meu pai quando ainda era muito jovem, entregava mercadorias, às pessoas do bairro. Apresentou-nos a esposa, que mostrava em seu rosto sinais de sofrimento. Com eles estavam três crianças, eram netos do casal. Contou-nos que o filho morreu de Covid-19, e a esposa, nora deles, continua em tratamento por ter ficado com muitas sequelas. Os três netos só tinham a eles.

Disse-nos que já havia recorrido a vários lugares, até Instituições para fazer o que jamais pensara, pedir ajuda, pois sua aposentadoria não garantia o sustento e medicamentos a todos. As três crianças pareciam cansadas, de cabeça baixa como se estivessem pedindo para irem embora.

Naquele instante lembrei dos preparativos para os festejos de Natal, e pensei: onde ficariam tantas famílias na mesma situação.

Convidamos a entrar, as crianças sorriram, pois queriam um lugar para descansar. Servimos um café reforçado, ninguém se negou a comer. Enquanto isso, tentamos falar com diversas pessoas, que poderiam nos ajudar a achar uma solução para o caso tão triste, mas infelizmente não o único.

Em poucas horas já havíamos recebido muitas doações, alimentos, roupas e algum dinheiro.

Eles foram embora mostrando no rosto a alegria de serem ajudados, enquanto isso, alguns amigos se juntaram a nós, e resolvemos formar um grupo de pessoas com o objetivo de amainar um pouco a situação de algumas famílias. Ficou decidido que cada um de nós, traria para o grupo mais uma pessoa para decidirmos o que fazer mais, para ajudar pessoas. Sendo assim, com a cooperação de mais voluntários teríamos muito mais ajuda. Uma equipe ficou responsável pela arrecadação de brinquedos. Aceitaremos também doação em dinheiro, o qual será distribuído às famílias menos favorecidas, para que tenham a dignidade de comprar algo com o valor que lhes será doado, o que será feito através de envelopes para que não sintam nenhum constrangimento.

A equipe toda sentiu o gostinho da felicidade, confirmou-se mais uma vez, na prática que ajudar o próximo é ajudar-se a si mesmo, o que nos causa emoção vivificante.

Não há líder nesta equipe, todas as sugestões são ouvidas e analisadas, cada doação é guardada em uma pequena sala, da casa paroquial.

O trabalho está ficando intenso a cada dia, até crianças estão se voluntariando junto aos pais.

Um cadastro foi viabilizado para que nada saia do controle. Cinco famílias já estão cadastradas, e três estão sendo atendidas mais de perto com medicamentos, pois alguns têm receita, mas não conseguem comprar, devido ao preço.

Hoje, percebemos que a distância que separa as pessoas está maior e mais evidente.

Este trabalho nos mostrou que o Natal tem um significado maior, o amor que se aloja em nosso coração. Sua magia é a paz que faz morada em nosso interior, nos aquecendo por dentro.

“Assim como uma praia é feita de minúsculos grãos de areia, a felicidade é formada da união de pequenas coisas”.

Feliz e Santo Natal a todos!

18 de dezembro de 2021 – Marli Boldori

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