Enquanto a chuva cai lá fora e respinga na janela da sala, mexo minha colher de chá lentamente, misturando o líquido ao açúcar, enquanto penso se todo o vício é maléfico.
Serei mais específica, vício em artes é maléfico? Como vício em séries e filmes?
Talvez quando você exclui a sua vida social por eles, sim.
E a desculpa sempre aparece no mesmo tom: “mas está tão boa, só mais este pedaço e desligo”. E, quando percebemos, entramos de madrugada com os olhos e ouvidos vidrados na telinha.
Não me considero uma viciada em séries ou filmes, (ainda), mas confesso que já maratonei algumas vezes.
A última, que não faz muito tempo, foi com a série” Good Girls”.
Série que você acha que não vai dar em nada, que é mais um amontoado de besteiras, porém se surpreende quando se vê torcendo por este ou aquele personagem.
Costumo dizer que no episódio dois já me considero da família, e tenho os meus afetos e desafetos.
Mas voltando à série, “Good Girls” foi uma grata surpresa, que tem seus encantos, sim.
Talvez tenha dado certo pela química entre as personagens principais, ou pelos estresses nos bastidores (revelados nas redes sociais). A questão é que, mesmo sem continuação (já declarada pela Netflix), ela vale as horas assistidas.
A história, nada muito surpreendente, narra a vida de três pacatas donas de casa que bolam um roubo ao supermercado local para sair do sufoco da vida, a falta de dinheiro e conquistar a independência. Puritanismo à parte, você se pega torcendo por elas, seja pela simpatia, seja pelo espelho.
E daquele pequeno roubo a um mercado local, a teia vai apenas emaranhando ainda mais a vida daquelas três mulheres, algo que elas nunca puderam imaginar.
E como toda e boa série que, para nos prender não pode manter o foco apenas em um fato, para não se tornar monótona, ela desenrola vários relacionamentos: marido e mulher, pais e filhos, amigos.
Levanta várias questões, nos faz refletir e, algumas vezes, um leve nó na garganta surge.
Lembro que comecei assistindo meio sem querer, o botão do controle subindo e descendo várias vezes, nada que fizesse meus olhos pararem. Interrompi a procura e fui à cozinha buscar algo para comer, e levar embora meu tédio, mas quando voltei, na tela passava a propaganda da série, e foi ali que ela me ganhou.
“Good Girls” é uma série despretensiosa, foge do glamour hollywoodiano, até mesmo pelos atores que interpretam os papéis principais e secundários, o que é muito bom, por sinal, abre o nosso leque de opções de atores, e nos faz conhecer o que antes era desconhecido ou pouco valorizado (até por questões de cachês) nos grandes filmes.
E, sim, mesmo tendo apenas quatro temporadas e um final sem pé nem cabeça (na certeza de que eles queriam continuar), vale muito à pena, e não apenas para um sábado à tarde para quem não tem nada para fazer.
Olhando atentamente e prestando atenção, dá para tirar um bom proveito da série, “Good Girls”.
Fica o gostinho da curiosidade.
25 de setembro de 2021 – Marli Boldori