Hoje, 7 de setembro, dia maior da Pátria, festejos da independência do jugo de Portugal, fui como tantos outros assistir ao desfile das escolas de ensino, de entidades, de agremiações entre tantas outras, inclusive do 5.° B.E. do Exército Nacional que está sediado nesta cidade
O desfile dar-se-ia na Rua Prudente de Morais e o Palanque Oficial onde se colocaram as autoridades e outros representantes da sociedade, instalado na rua XV de Novembro, esquina com Prudente de Morais. O desfile seria no sentido da Rua Matos Costa à Cel. Amazonas, onde haveria a dispersão dos integrantes.
Orgulhoso dos filhos que iriam desfilar busco local propício, guarnecido do sol inclemente que ainda cedo do dia, extraordinariamente, iluminava, céu sem nuvens, fato raro às cidades gêmeas que normalmente é frio, úmido, chuvoso, característico de fim de inverno. Estou postado no degrau de porta de entrada de antiga casa na Rua Prudente de Morais, agora abandonada, próxima ao Palanque Oficial, lugar privilegiado, porquanto elevado, à sombra e acima dos demais espectadores que se aglomeravam a beira do passeio público, junto à enorme corda instalada para limitar acesso do povo à rua.
Logo começa o desfile, escola após escola ao som de bandas muito treinadas, tambores, surdos, tarolas repicando, marcha batida imposta aos desfilantes, ritmando as passadas.
Observo que simultaneamente se deslocam crianças mal vestidas, maltrapilhas, faveladas, perturbando os espectadores, esmolando, tais como insetos malfazejos, que eram repelidas, algumas vezes rechaçadas debaixo a impropérios. Haver-se-ia de ser tomada de prevenção das autoridades para evitar tais situações, incômoda aos espectadores, povo privilegiado…
Na sequência, regida por maestro em vestimenta de gala, desponta a Banda do Colégio Santos Anjos composta, unicamente, por moças, trajando o uniforme azul e branco característico, garbosas, impolutas, orgulhosas, imponentes, todas muito bem nutridas, lindas. O surdo marcando o ritmo, pífaros, tarolas, cornetas, tubas, interpretando música própria, desfilava a Banda, emocionando os quantos assistiam, arrancando aplausos, vivas dos espectadores.
…e os pedintes “mosqueando”, desrespeitando as limitações impostas de acesso à rua, assediando a todos…
Terminado o desfile, dispersos todos os seus integrantes, decomposto o Palanque Oficial, autoridades mescladas à população, todos felizes, rostos iluminados de satisfação, se dispersam e as crianças “mosqueando”…
Do posto privilegiado observei, senti o desnível social, fui tocado pela injusta posição, impossibilitado de solucionar a problemática, vi a Banda passar.
25 de setembro de 2021 – Irapuan Caesar Costa