SOLIDÃO E SOLITUDE

Tormenta

Era madrugada quando procurei pelo caderno que não estava na mesa de cabeceira. Há anos cadernos ali dispensam o uso do celular ou computador nas noites de insônia. Impaciente, comecei a escrever em todo e qualquer pedaço de papel que encontrava pela frente, pensei até em rabiscar nas paredes do quarto, mas é claro que descartei a branca e ampla possibilidade. Após escrever e escrever pensei: será que algum dia esses rascunhos serão lidos, ou ficarão entulhados nas gavetas até que alguém descarte-os quando eu me transformar em passado? Ou farei como certos escritores — inseguros — que dizem: “Olha fulano, não é uma beleza o que escrevi?” Enfim, a pergunta é: será que todos esses papéis rascunhados despertariam o interesse de alguém? Difícil saber. São apenas pensamentos de alguém que acorda nas madrugadas, com sede de palavras.

27 de agosto de 2021 – Alciomara M. Buch

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