Tenho me desfeito de infinitas aquisições que fiz ao longo da vida. Alguns talheres a mais na gaveta? A fulana gostará! Botas e sandálias altas? Já não as uso há muito tempo, melhor doar. Casacos de lã? Quando os comprei? A maioria nem usado foi. Com certeza alguém os usará! Ficarei apenas com as jaquetas de náilon, confortáveis, todas na cor preta, discretas por demais. Quem sabe mantenha o casaco vermelho de lã, por conta da insistência da irmã, que jura que ainda o vestirei um dia. Cadernos de receitas? Quatro! Quando foi que os abri pela última vez? Não tenho lembrança. Ficarei com aquele que meu filho me presenteou quando criança, por conta da dedicatória. Calças jeans e sociais? Já me desfiz há tempos. Mantive uma para usar em casa (sou daquelas pessoas com roupa para sair e roupa para usar em casa), duas sociais (pretas, é óbvio) para algum evento mais elaborado, algo um tanto difícil, e duas para quem sabe um encontro com os amigos, festas de aniversário… Calças legging? Uma! Gosto tanto que ainda não consegui encontrar outra igual, mas continuo tentando. Maquiagens? Os inúmeros batons, de todas as cores e texturas, foram reduzidos a quatro, de tons neutros, ou melhor, cinco, pois um deles, na cor rosa vibrante, foi presente e mesmo que eu não tenha a intenção de usá-lo novamente, guardarei. Preciso me desfazer dos lápis para olhos, ficarei com um, é mais que suficiente, e não posso deixar de utilizá-lo nas saídas diárias, vai que me deparo com uma fã (veja crônica Vacilo). Delineador? Um! E será descartado, nunca soube usá-lo. Melhor providenciar a maquiagem definitiva. Sobre potes, caixas vazias, vasos sem flores, recibos etc, seus destinos encontram-se na crônica A Faxina. Pode parecer exagero, mas ao destralhar a casa, ou seja, doar, jogar fora tudo aquilo que perdeu a utilidade, ou o sentido de ser guardado, trouxe-me uma valiosa reorganização interior, e uma grande sensação de liberdade. Como é mesmo aquela célebre frase? Menos é mais? Tenho certeza.