BREVES HISTÓRIAS

Quase uma Odisséia

Confesso que está sendo difícil escrever sobre minha recente viagem a San Francisco. São muitas as ótimas lembranças, mas a saudade que tais momentos evocam é bastante dolorida. Disse certa vez em um antigo poema, quando eu ainda os escrevia, que a dor da saudade é a mais doída das dores. Não é nada fácil viver a 10 mil quilômetros de distância de minha filha Mayara, entretanto, se ela está feliz, eu também estou. Mesmo com imensa saudade.
Essa recente viagem foi verdadeira odisseia. Senti-me como Ulisses ou Odisseu, se preferirem.
A odisseia começou quando ao trocarmos a data da partida, perdemos o voo. Tentamos de toda maneira remarcar o voo pela mesma companhia aérea. Foi impossível, pois além da multa de 250 dólares por passageiro, a diferença de tarifa ficava em mais de 10 mil reais por passageiro.
Muito desanimado e entristecido por mais uma vez não ter podido viajar, já que essa viagem estava prevista para maio de 2020, quando estávamos encarcerados no presente, sem perspectivas do futuro, em plena pandemia, que parecia que nunca acabaria. Chegamos a ir até Guarulhos para tentar falar pessoalmente com a companhia aérea. Vão esforço. O escritório da companhia estava fechado e durante o dia nem mesmo seu guichê abre, sendo ocupado por outra companhia.
Voltamos para casa de Nina Rosa desolados.
Foi quando Mayara e Bradley entraram em ação, tentando encontrar um voo, ainda para aquela noite ou para o dia seguinte e que não custasse somas astronômicas.
Mayara teve que abandonar a busca uma vez que ainda estava em horário de trabalho e teria uma reunião dali há alguns minutos, mas ainda assim passou as coordenadas para Nina Rosa que encontrou um voo para a noite seguinte e a volta para a mesma data prevista no voo inicial.
Viajamos pela American Air Lines, com duas conexões, sendo a primeira em Miami e a segunda em Phoenix. Quando retirávamos as malas em San Francisco, fomos surpreendidos pelo belo sorriso de Mayara que corria em nossa direção. Longo abraço, enorme alegria.
O diário de viagem conto outro dia, ficando hoje apenas com a odisseia.
Nosso retorno estava previsto para as seis horas da manhã, dessa forma teríamos que estar no aeroporto com três horas de antecedência.
Nos despedimos de Mayara e Bradley por volta das 11 da noite e após muitas lágrimas e longos abraços, fomos todos dormir.
Saímos da casa de Mayara as duas e meia da manhã e nos dirigimos para o balcão da Delta, que nos levaria até Salt Lake City, em Utah e depois para a Cidade do México e daí para São Paulo.
Nossa preocupação residia na exiguidade do tempo na primeira conexão, apenas 34 minutos. Se tivéssemos que retirar a bagagem e somente aí passarmos pela alfandega, seria humanamente impossível. Fomos então informados que as malas somente seriam retiradas em São Paulo. Parcial alívio, pois a conexão ainda era a mesma. Margarete teve uma iluminação e foi fazer esse questionamento já no portão de embarque. Foi quando uma funcionária da Delta disse que o voo para Salt Lake iria atrasar e que perderíamos a conexão para a Cidade do México. A moça saiu, literalmente, correndo daquele portão de embarque e nos embarcou para Los Angeles, que fica há apenas uma hora de voo de San Francisco e assim sairíamos de LA em tempo de manter a conexão na Cidade do México.
Até aí tudo certo. Chegamos em México City com tempo de sobra e trocamos a Delta pela Latam e voamos para São Paulo.
Chegamos em São Paulo as quatro e meia da manhã e de imediato, como não, poderia deixar de ser, nos dirigimos para a esteira indicada para retirarmos as malas.
Acabamos demorando um pouco na Polícia Federal, com o computador do funcionário não conseguindo liberar o passaporte de Margarete. Ele disse que não era nada de errado, mas que teria que fazê-lo em outro local, mas que já voltaria. Demorou alguns minutos e quando, finalmente, fomos para esteira indicada no painel, não havia mais ninguém ali, tampouco nossas malas.
Fomos para um guichê da Latam que fica ali mesmo na área das esteiras. Relatamos a troca de voo de Salt Lake para LA, ressaltando que e a Delta havia nos assegurado que as malas somente seriam resgatadas em São Paulo. Apresentamos documentos e todos os bilhetes de embarque e ele até rapidamente, localizou nossa bagagem, que ainda estava em Salt Lake. O erro foi da Delta que não enviou as malas para a Cidade do México e dessa forma também não as remeteu para SP.
Preenchemos um formulário e ele nos disse que a bagagem iria de Salt Lake para Atlanta, dali para Miami e de lá para SP e que chegaria na manhã seguinte, tendo que passar pela Polícia Federal por volta de 11 de manhã e após isso seriam entregues em nosso endereço, ou seja, no apartamento de Nina Rosa.
Salientamos para o funcionário que somente ficaríamos em São Paulo até o meio da tarde de quinta-feira e se caso as malas não chegassem, teriam quer ser enviadas para União da Vitória. Ele nos tranquilizou e disse que chegariam em tempo. A tarde de quarta-feira foi passando e nada das malas, até que por volta das 19h20 recebemos um whats app da Latam dizendo que elas deveriam chegar as 20h27 e quando eu, Marga, Nina e Clarissa degustávamos duas memoráveis pizzas da Veridiana, uma das melhores pizzarias de São Paulo, as malas chegaram. Alívio.
Mas a história ainda não terminou.
No voo de retorno Margarete começou a apresentar sintomas de um resfriado.
Já em União da Vitória, na noite de sexta-feira, também comecei com uma pequena dor de garganta. Tomei um medicamento e durante a tarde me senti melhor e na noite de sábado tomei um uísque com gelo e acordei de madrugada com muita dor de garganta.
Na tarde de domingo senti muito frio e apareceram outros sintomas, como forte coriza e tosse. Na manhã de segunda Nina Rosa me ligou e disse que estava muito gripada e iria fazer o teste de Covid19, mas o resultado somente sairia na manhã de quarta.
Por sorte eu não havia saído de casa e a partir daí não saí mais, até que na manhã de quarta, Nina confirmou que estava com Covid19. Fui então fazer o teste e deu positivo.
Estou isolado em casa, já quase sem sintomas, assim como Nina Rosa e Clarissa.
Tivemos todos nós uma gripe de pequena monta, isso graças as vacinas, sendo que eu e Margarete já tomamos as quatro doses disponíveis e Nina Rosa e Clarissa, três doses.
A vacina salva vidas.
E assim terminou nossa odisseia e nossa volta não para Ítaca, mas para União da Vitória.
Na próxima conto meu diário de viagem, que contou até com um out Bolsonaro.
Até lá.

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