BREVES HISTÓRIAS

Reflexões e constatações

Quando estive agora em julho em São Paulo, fui visitar a Bienal do Livro e me surpreendi com a quantidade de jovens e crianças no evento. Praticamente todos com um livro na mão, o que demonstra que ainda não perdemos a difícil batalha para a Internet, onde milhares de jovens são, voluntariamente, reféns.
Saí otimista também por verificar que estamos ganhando a batalha contra bolsonaro, que em uma de suas mais recentes, absurdas, abjetas e nefastas falas, disse que se Lula ganhar a eleição, em cada clube de tiro será aberta uma biblioteca.
E ainda há quem aplauda esse sujeito, mas sua hora está chegando como aponta pesquisa de intenção de voto, divulgada quarta-feira, 27, apenas com jovens de 16 a 29 anos, em 12 capitais. O resultado mais que alentador, segundo o jornal Folha de São Paulo, pôs em pânico o Palácio do Planalto. Nessa verificação, Lula tem 51% e Bolsonaro apenas 20%. Confirmada essa tendência, Lula vence no primeiro turno e aí saímos da Idade das Trevas em que Bolsonaro não se cansou de grunhir manifestações antidemocráticas, racistas, misóginas e homofóbicas.
De qualquer forma ainda não entendo como pessoas ligadas às artes, seja no cenário local ou nacional, ainda defendam esse beócio, que como tal, iletrado, insiste em defenestrar a arte e a cultura. Prova disso, foi seu veto às Leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo. Em uma das poucas demonstrações de clarividência da Câmara Federal, o veto foi derrubado.
Contudo o seguimento artístico que ainda apoia Bolsonaro é ínfimo, irrisório, se subscrevendo a cidades do interior, principalmente, do Sul do país.
Para meu regozijo, domingo passado fui a um happy hour em um bar de Curitiba e eis que ao final da apresentação, o músico lascou um Fora Bolsonaro, que foi replicado com entusiasmo por todos que lá estavam.
Ainda falando da Bienal do Livro, assisti a uma mesa, com os escritores Ruy Castro, autor de diversas biografias e dos ótimos, Metrópole a beira mar, Chega de saudade e Ela é carioca. Também participou da mesa o escritor português, Francisco Viegas, autor entre outros de O mar em Casablanca, no qual Viegas mais uma vez nos traz seu célebre e emblemático personagem, o detetive Jaime Ramos. Na obra de Viegas a resolução dos crimes é meramente secundária, o mais importante é viajar, seja ao passado, seja na história colonialista de Portugal e ao âmago de seus personagens submerso no naufrágio que foi a ditadura salazarista.
A discussão da mesa partiu do fato de que Castro, oriundo do jornalismo, sempre abordou fatos reais e agora mergulha na ficção, enquanto Viegas um ficcionista, mesmo com personagens inventados, mergulha na recente história de seu pais.
Como 9 de Julho era feriado em São Paulo, a Marginal estava fechada e o Uber que eu e Nina Rosa tomamos para o local da Bienal, foi obrigado a seguir um caminho mais tortuoso, o que nos fez perder a mesa com o também português, Walter Hugo Mãe, e, com o ambientalista e líder indígena, Ailton Krenak. Foi uma pena.
Na última sexta-feira eu e Margarete estivemos em Curitiba para assistir ao show Encontro Marcado, com Flávio Venturini, 14 Bis e Sá e Guarabyra. Já na primeira música fui levado, sem nave espacial e tampouco máquina do tempo, ao ano de 1974, com a seminal canção, Criaturas da noite, executada na época pela banda O Terço, que era liderada por Venturini. Memorável.
No sábado estivemos no bar O pensador que havia sido de meu amigo Guilherme Vogel. Antes de ir liguei para meu outro amigo e parceiro, Sandro Guaraná, que não só me contou que quem iria tocar lá naquela noite, seria o acordeonista Marcelo Cigano, acompanhado de baixo acústico, guitarra e percussão. Guaraná gentil como de hábito, ligou para o bar e reservou uma mesa para nós, a melhor do local, autêntico camarote.
Ao lado de Margarete e das amigas Barbara e Raissa, nos emocionamos ao ouvir coisas como Oblivion, Autumn leaves e Manhã de Carnaval. Apenas genial.
E para encerrar nosso tour curitibano, na noite de domingo, fomos encontrar no bar Belle Ville, nosso querido amigo, Claudio Pimentel, que nos presenteou com músicas dos Smiths, David Bowie, Pixies e Velvet Underground. Formidável.
Ainda em tempo, relembro que quando estivemos em San Francisco, em maio deste ano, em uma cervejaria tocou a já clássica Ele Não, claro que em sua versão original. Ao seu final gritei Fora Bolsonaro, que foi compartilhado por três americanos com quem dividíamos a mesa.
É mais um sintoma de que a hora este chegando e mais uma vez a esperança vencerá o medo.

Clique para comentar
Sair da versão mobile