REMINISCÊNCIAS

Saudades…

O mês de agosto me traz lembranças muito fortes, tristes, que me fazem pensar, noites insones, amargura infindável.
Foi no mês de agosto que ocorreu o passamento de minha progenitora, data do nascimento de meu avô paterno, suicídio do Presidente Getúlio Vargas e mais recentemente o falecimento ocasionado por acidente de trânsito de meu primogênito, entre muitos outros acontecimentos.
Já escrevi outrora que o meu filho, o Junior, sempre foi um parceiro muito próximo, não que os demais não sejam, mas ele era especial. Lembro saudosamente do nascimento, primeiro parto da esposa, doloroso, dificultoso, demorado (horas infindáveis de sofrimento, dúvidas, esperanças, incertezas, somente quem já passou por essa situação, sabe).
Lembro, quando ainda Junior menino, cerca de três aninhos, levava-o a passear, vez no colo, vez andando e segurando-o pela mão, vez de bicicleta ele sentadinho em cadeirinha própria, com o vento levantando os cabelos que caiam sobre a testa. Era um garoto de índole, mansa, agradável, que conquistava todos que dele se aproximavam, independentemente de idade, de sexo.
Porém, agosto é mês de maus acontecimentos. Junior nascido em 08/11/1962 teve ceifada a vida em 12/08/2019 em virtude de piloto de veículo despreparado, irresponsável, que causou acidente gravíssimo. Os danos ocasionados pela colisão dos veículos são irreparáveis. Muitos perderam muito, perdi o parceiro.
Depois dos trinta anos, depois de desentendimento político, perdi o cargo de Diretor Escolar, ficando desempregado.
Aceitando convite de amiga atualmente falecida também, fui prestar vestibular de direito despretensiosamente, eis que já detinha dois diplomas de escolas superiores.
Ocorreu, entretanto, que fui aprovado no vestibular e, como não havia nada melhor a fazer, desempregado, trabalhando como vendedor, frequentei o primeiro ano da Faculdade de Direito.
Nesse ínterim o Junior concluiu o Segundo Grau e inscreveu-se para prestar vestibular de Direito na mesma Fauldade que eu frequentava. Prestou exames de vestibular e foi aprovado. Jamais perdeu ano de estudo, sempre passou nos exames, nos testes.
A partir daí éramos também parceiros de Faculdade e somente continuei no curso de Direito porque tinha necessidade de vê-lo, saber como estava, se precisava de algo… e assim passaram-se os anos, recebi o diploma de advogado, ele depois. Iniciamos o exercício de advocacia, praticamente, juntos, agora estou só, sentindo muitas saudades…

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