NACO DE PROSA

O novo vizinho que me fez lembrar

Conversando com um vizinho da minha rua, recém chegado ao bairro. Ele estava muito curioso com o comércio, escolas, igreja e aí, a conversa foi longa. Comecei a contar sobre como lembro que era o nosso bairro, hoje bairro São Pedro.

Meus pais tinham um armazém, tipo secos e molhados da época. Era tipo os comércios do século XIX, que vendiam desde grãos a granel, óleo por litro, querosene, utensílios de uso doméstico e de trabalho na lavoura, banha, corda, fumo enfim quase tudo.
Ainda eram poucos os moradores que aqui residiam.
Quase tudo era mato, campo verde, onde os meninos faziam seu jogo de futebol.
A estrada era de barro vermelho, quando chovia era triste só de olhar. O bairro era conhecido por Tocos, percebo que muitos ainda se referem com o nome de Tócos, soube que devido ao barro quando carroças precisavam passar muitos galhos e tocos de árvores eram quebrados e jogados na lama para auxiliar na caminhada. Se formos pela forma correta seria Tôcos que é o plural de toco, mas não será agora que mudaremos a pronúncia. Talvez haja outra versão para a origem do nome, mas eu não sei, porém adoraria saber.
No local da igreja São Pedro e São Paulo havia uma linda capela, onde estudávamos a catequese, e todos os sacramentos eram ali realizados.
Ele me perguntou sobre a Escola Germano Wagenfuhr. Contei a ele que havia a Escola Reunida Eulina Cotia Ribeiro, que ficava em frente à capela.
Foi ali, que todos aprendemos as primeiras letras, e que alguns dos meus professores estão vivos.
A Escola Germano Wagenfuhr estava sendo construída, não como é hoje, era mais simples, porém para a época era linda.
No entanto, o acesso a ela era dificultado pelo mato, a vegetação era intensa e alta, havia a necessidade de abrir uma rua ou uma simples passagem. Os pais tinham interesse, pois seus filhos logo iriam passar a estudar ali. Seu Engelbert Schwab, dono da Foto Real conhecido por Ângelo ou apenas Schwab, além de ser nosso vizinho era amigo do meu pai, os dois estavam sempre procurando melhorias para o bairro. Os dois estavam planejando algo para facilitar a passagem dos alunos. Concordaram que fariam sim uma rua. Arrumaram um trator, pagaram o óleo e um senhor para manobrar o trator, foi uma festa, e assim a pequena estrada foi aberta, e hoje é a rua Leoberto Leal, graças a iniciativa de dois moradores que estavam sempre à frente de seu tempo. Falei a ele sobre a história da fogueira, como iniciou, quantos metros tinham as primeiras, meu avô doava a lenha, meu pai e uma equipe de homens iam buscar onde meu avô morava. E assim o bairro foi crescendo. Pessoas foram chegando, casas sendo construídas, umas mais perto da igreja, sendo assim a fogueira teve que ser diminuída em altura, devido ao perigo de moradores próximos.
A atual igreja estava sendo construída, hoje recebe seus fiéis para todos os eventos religiosos.
Então ele me fez a pergunta que eu não gostaria de responder, mas…
-E a capela ou igrejinha?
-Foi demolida. Hoje não sei dar todos os detalhes, será que poderia ser preservada?
Em seguida ele me perguntou se passava trem ali perto, pois os trilhos estão perfeitos. Respondi que sim, no passado, eu era pequena não podia sair para ver, mas era trem de carga e de passageiros. A criançada sabia os horários e fazia uma corrida para ver a passagem do trem. Era o show do dia. Hoje as lembranças são fortes e nos fazem voltar ao passado que não está tão distante. A Maria Fumaça, a máquina 310 fez muito sucesso, e está em reforma para voltar aos trilhos em breve. Ainda hoje é tema de muitas conversas.
Em seguida ele falou sobre o Caminho das Tropas, quando fui começar a responder ele foi chamado. Então haverá com certeza, outro capítulo sobre o crescimento do bairro São Pedro.

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