Queria saber de onde surge a sua ousadia,
eu te olho e não consigo ver,
é como se eu olhasse para o vazio,
você é sempre repleto de nada
e pensa que de alguma forma seria capaz de me causar algum dano.
Deixa-me te contar, não espero que entenda,
eu tinha cinco anos e já era acusado de algo,
soava algo abominável,
que eu só teria consciência muito tempo depois.
Quando criança por onde eu caminhava
as balas estavam em minha direção,
e pasmem,
nem um crime eu tinha cometido,
era apenas o viadinho do bairro.
Homens, senhores, mulheres, jovens, idosas,
não tinha um olhar capaz de me absolver,
apenas de me condenar,
o que mais incomodava neles, eu não sei
talvez o fato de eu jamais mudar.
E agora você vem me dizer que eu não sou capaz?
Eu fiz o impossível sem ter nada.
Chorei, matei, despertei, sobrevivi e vivo,
tomei para mim o mais precioso de mim mesmo,
e não será você, mais um homem comum
que irá me limitar.
Tipos como o seu eu danço e mato,
em minhas mãos, nem piada você é capaz de virar,
talvez vire pó,
e não falo das estrelas,
nem do universo,
falo daquele pó da rua de onde eu cresci,
um vazio, um nada.
Não, eu não sinto por você.