ESCRITOS DA MARGEM

Poesia

Era um inverno impiedoso,
o frio era pouco para tanta dor e tristeza que sentiria naquela noite,
quando percebi sua chegada, não deu mais tempo para nada,
chegou. e me dominou. da forma que eu nunca tinha visto. ou sentindo antes,
uma fúria que ninguém era capaz de conter,
me arrebentou, me arremessou,
voei longe.
Levou meus pertences, minha dignidade,
me deixou sem nada, sem vida, sem forças,
nem meus filhos ficaram ilesos de sua revolta.
Os hematomas. . . até hoje vivem em mim,
nem tanto visuais, mas a lembrança não vai embora, permanece.
quando toco em partes de meu corpo que foram atingidas,
me vem a triste lembrança daquela noite,
meus filhos? eu nunca mais os vi,
vez ou outra eu sinto o cheiro deles, numa eterna lembrança,
vontade de agarrar, mas nem sei mais onde eles estão,
nem sei se aqui, eles estão.

Aquela noite me foi tirado tudo,
me foi arrancado,
com força e sem pensar,
uma fúria, que jamais vou esquecer.
Poderia ser esse, mais um relato, daquelas noites,
aquelas que meu marido chegava embriagado em casa,
confesso que enlouqueceria,
entraria em êxtase profundo,
ao ver o causador de tantas dores minhas,
sendo arremessado por um pronome feminino,
mas aquela noite,
eram as águas da natureza mostrando sua fúria,
levou o maldito, mas levou meus filhos também,
evidenciando quem realmente é a dona de tudo,
vão procurar inúmeras justificativas,
inúmeros culpados,
para inocentar o principal culpado,
a história vai se repetir, como segue e seguiu até hoje.

Se constrói inúmeros prédios,
o batizam de arranha-céus,
se amontoa concreto, colocam vidros,
enchem de cafonices,
no fim dão o nome de conceito,
como cereja do bolo, colocam uma celebridade para lá morar.
Iludidos e endinheirados seguem ostentando tamanha breguice,
propondo um trabalho gratuito sem nem perceber.
Ó miseráveis, quanta ilusão,
quanta mentira concretada em m².

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