Oi Papai do céu! Nesta prosa que vou ter contigo, desde já peço desculpas ao tomar a liberdade de compartilhar com todos os meus amigos, mas acho fundamental, pois é uma forma de tentar me redimir e pedir perdão perante todos pela minha fraqueza.
Começo contando, que os meses de setembro e outubro não foram nada fáceis para mim e minha família, tamanhas as emoções, uma positiva e muitas outras de estourar a boca do balão de tão pesadas. A emoção boa começou quando fui muito homenageado cedendo o meu nome para um certame tradicional de futebol. Muito feliz, tive uma festa de honra patrocinada por amigos e conhecidos. Tudo foi maravilhoso durante o desenrolar e ápice do evento. Eu e minha família destilávamos felicidades. Mas, no dia seguinte, após o encerramento, de forma inesperada, de graça, sofremos muitas agressões, não só nós, mas também aqueles que me homenagearam. De tanta alegria e satisfação, num de repente, um caos psicológico se instalou sobre as nossas vidas. A pressão foi tanta, que depois de muitas alegrias o fato virou um inferno. Os hematomas deixados por gente sem noção e senso de humanidade, embora invisíveis, ainda persistem. Amigos sofreram um baque na saúde, eu inclusive, baixei à um hospital. O “bobo” começou a ratear, e inaugurar um leito de UTI, foi inevitável.
No decorrer da insensatez, logo no início da minha recuperação física, parecendo como um castigo, de forma avassaladora uma grande perda financeira se fez presente. Para quem tem pouco, qualquer prejuízo faz a diferença. Aumentando a tudo isso, as torneiras das alturas foram abertas, e o meu chão amado começou a se transformar em um mar. O aguaceiro começava a rondar a nossa residência, mas já tinha invadido muitas. A desolação, a angústia e a impotência diante destes fatos nos transformavam em uns quase desvalidos. O sofrimento era constante não só durante os dias, mas também durante as noites, onde o sono passava por deveras longe. E a água, milímetro por milímetro ia tomando conta da morada, adentrando.
Mais uma vez a minha “máquina” rateou. Por segundos em minuto, ela parava de bater. Senti a finação rondando. Às pressas, novamente o doutor foi visitado. Num “toque de caixa”, na correria, a UTI recebia novamente a minha visita. De maneira veloz, um marca-passo provisório me foi instalado. Medicado e sob controle, aguardava-se o transporte até a capital do Paraná. Lá ficaram preparados à minha espera. Na madrugada seguinte fomos em disparada. Sob olhos humanos e de aparelhos eu era vigiado.
Exames de todo naipe. Entre tonturas, algumas faltas de ar e dores pelo corpo de tanto ficar imóvel em posição única, com os pensamentos viajando para todos os cantos pensei em desistir, iria jogar os panos. Com o lado do peito aberto, um marca-passo definitivo foi implantado. Achei que não era justo tanto sofrimento. Queria partir, pedi que o Senhor me levasse. Estava desistindo do mundo. Fraquejei na minha fé. Me perguntei, porque coisas ruins acontecem com as pessoas? Por tão pouco eu estava desistindo. Aí comecei a atinar, a ficha começou a cair. Cristo nunca desistiu de mim e os recursos médicos estavam a minha disposição.
Deitado de barriga para cima, com as vistas até o papo de lágrimas, senti uma mão acariciar o meu ombro esquerdo. Ouvi o som de uma Voz suave me chamar de filho, e me pedindo, para que, sem precisar torcer o pescoço, somente revirar os olhos, um tiquinho, visse pela beiradinha, que o que eu estava passando ali, era mil vezes menor que o tamanho de um grão de areia do que milhares dos meus irmãos em Deus estavam passando, e nem por isso eles tinham jogado a toalha. Lutavam, caiam e se erguiam rápidos e cada vez mais valentes. Corriam como loucos, ávidos por mais um sopro de vida. Nunca desistiam. E eu, sempre forte durante a minha jornada até então, nas primeiras e acumuladas dificuldades estava arriando os cambitos, se entregando.
Vi gente passando fome e sem ter uma cobertura e um travesseiro onde colocar a cabeça para dormir. Vi doentes terminais, crianças morrendo em guerras onde a sanha pelo poder é grande em alguns. Tudo isso vi só com o cantinho dos olhos, sem virar o pescoço. Levantei o braço direito e coloquei a minha mão sobre a que estava sobre o meu ombro. Senti um alívio, uma paz sem igual. Num estalo, acordei apertando o meu ombro esquerdo e não encontrei mão alguma. Como querendo me situar, derramando lágrimas a dar com o pé, senti vergonha por ter reclamado por quase nada.
É por isso Papai do céu, que peço mil vezes perdão e compartilho com meus amigos mostrando o quanto fui fraco, que sou fraco, mas que apoiado pelo Senhor, sempre estarei guardado.
A água da enchente chegou no meu lar, as perdas foram muitas. Estamos juntando os cacos. O marca-passo implantado definitivamente mantém as batidas de forma regular. Estou no lucro. Foi me dada a chance e o privilégio de ter ganho mais sopros de vida. Tenho que aproveitar me tornando forte para as dificuldades futuras, para problemas resolver, perigos superar e acima de tudo, poder ajudar as pessoas com necessidades ao meu redor.
Portanto, amado Papai do céu, humildemente peço perdão, perdão e mais perdão… E gratidão, gratidão, gratidão…por tudo o que vivi e que viverei até quando for a Sua vontade.
COISAS DA BOLA são fatos vividos por mim, histórias contadas por amigos e outras frutos da minha imaginação. Qualquer semelhança será puro acaso.