Nós, servidores(as) (docentes e técnicos) do IFPR, juntamente com os servidores(as) dos Institutos e Universidades Públicas Federais de todo o Brasil, esclarecemos e reforçamos as razões da adesão à greve nacional, iniciada no dia 25 de março deste ano. Atravessamos um momento de grandes dificuldades: os salários perderam mais de um terço de seu poder de compra no caso de docentes e até 45% no caso dos técnicos (o último reajuste ocorreu em 2015); nossas condições de trabalho estão gravemente afetadas por cortes orçamentários (de R$ 8 milhões em 2018 para R$ 1,1 milhão, em 20241) que precarizam as instituições em que atuamos, fragilizando ainda mais as bases em que se apoiam a educação federal: o ensino, a pesquisa e a extensão2.
A Rede Federal de Educação se destaca por seu papel na qualificação profissional em diversas áreas do conhecimento, atribuição essencial em um país que ainda possui baixas taxas de formação em cursos técnicos e superiores. Ressaltamos ainda o protagonismo da rede em áreas científicas e tecnológicas, uma vez que responde pela maioria dos centros de pesquisa e lidera a produção de conhecimento acadêmico do país. Percebe-se, assim, a centralidade dos institutos e das universidades federais para um projeto de país, tanto no plano econômico, quanto social.
A cidade de União da Vitória e sua região é atendida por uma das 26 unidades do Instituto Federal do Paraná, aqui instalada em 2013. Hoje são ofertados os cursos técnicos de Meio Ambiente e Informática integrados ao ensino médio, e os superiores em Agronomia (nota 4 na avaliação do MEC) e Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (nota 5, pontuação mais alta da métrica utilizada pelo MEC). Para além de ofertar educação pública, gratuita e de qualidade, o campus de União da Vitória ainda conta com diversas linhas de pesquisa que abordam problemas locais e regionais, além de oferecer cursos de extensão abertos à comunidade. O investimento federal, portanto, retorna à comunidade em diferentes frentes, conforme a proposta que os IFs trazem em sua própria concepção institucional. Concepção esta que diferencia os estabelecimentos federais de qualquer outro modelo de educação vigente no país. Mas a continuidade destes serviços está ameaçada.
Ao longo do ano de 2023, os servidores federais da educação buscaram exaustivamente um acordo com o governo federal para a reposição salarial e reestruturação da carreira3. Contudo, no início deste ano, a proposta recebida foi de 0% de reajuste em 2024, 4,5% em 2025 e 4,5% em 2026, totalizando 9%, o que está bem abaixo do aumento da inflação do período, que foi de 42,42%. É importante ressaltar que outras categorias, como Polícia Federal, Banco Central e Receita Federal obtiveram reajustes significativos durante as negociações4, sem a necessidade de greve. Para os servidores de Minas e Energia, por exemplo, os ajustes chegaram a 100%5.
Sabemos dos efeitos imediatos dos prejuízos que a paralisação das atividades gera à comunidade acadêmica, contudo, a desvalorização salarial e a precarização das carreiras dos nossos profissionais têm consequências muito negativas a curto e a longo prazo. Os impactos da defasagem salarial docente, por exemplo, já podem ser sentidos no esvaziamento dos cursos de licenciatura6 (curso de formação de professores), na dificuldade em atrair profissionais para lecionar em áreas técnicas (como a de Informática). Desafios parecidos enfrentam os técnicos em educação (secretaria, laboratórios, biblioteca, pedagógico e administrativo), uma vez que a deterioração dos salários e a estagnação do plano de carreira desmotivam os profissionais a permanecerem em seus cargos. Ou seja, a desvalorização do trabalhador afeta gravemente toda a educação: estudantes, professores, técnicos e comunidade em geral.