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NOTAS DISSONANTES

30 anos de lançamento

Olá, eu sou o Guilherme Takezo, vocalista e guitarrista de uma banda chamada Ledbeder (se não conhece dá uma ouvida no Youtube começa pela música chamada Boreal). Bom, essa é a primeira coluna que vou escrever sobre música, estava pensando em como começar. Nesse processo, me dei conta que neste ano de 2021 vários álbuns consagrados fizeram 30 anos de lançamento, então seria legal falar sobre isso.
Vou mencionar alguns deles de forma mais rápida e conversar melhor sobre outros em específico. Vamos lá, o Black Album do Metallica, Nevermind do Nirvana, Ten do Pearl Jam, Use Your Illusion I e II do Guns n’ Roses, Blood Sugar Sex Magik do Red Hot Chili Peppers, Out of Time do R.E.M., No More Tears do Ozzy Osbourne, Arise do Sepultura, Badmotorfinger do Soundgarden, Leisure do Blur e por aí vai…
Pois é, o ano de 1991 foi realmente forte na música, mas vou falar de dois desses álbuns, os dois que tiveram impacto maior sobre mim. Um deles é o Nevermind do Nirvana, aquele disco que tem a capa do bebê na piscina indo atrás de uma nota de um dolar, provavelmente você já viu essa capa em algum lugar. O outro álbum é o Blood Sugar Sex Magik do Red Hot Chili Peppers.
Começando pelo Nevermind, esse com certeza foi um dos discos mais importantes da década, ele foi responsável por trazer a sonoridade mais punk e suja para as rádios. De uma hora pra outra, esse som que era mais encontrado no underground, de repente estava totalmente no mainstream.
O Nirvana vinha de um som mais pesado e pouco comercial com o seu disco de estreia, o Bleach. Com pouco resultado desse lançamento, o Nirvana se concentrou em fazer um som com melodias mais pop, mas ainda mantendo o peso das guitarras sujas e a pancadaria na bateria. O clipe da Smells Like Teen Spirit tocou infinitas vezes na MTV, o que com certeza deu uma ajuda para a banda decolar. Uma legião de garotos revoltados com o mundo se identificou com esse som, tornando Kurt Cobain o porta voz de uma geração de pessoas perdidas e revoltadas.
O Nevermind é realmente um disco muito forte, fora a Smells Like Teen Spirit ainda conta com Come As You Are (provavelmente a primeira música que a maioria das pessoas aprendem no violão, pelo menos no meu grupo de conhecidos foi a primeira), Lithium com aquele pré refrão marcante que te faz gritar até ficar sem voz, Polly que é uma música mais calma no meio de todo esse caos, In Bloom que ironiza os fãs da banda que não entendiam a mensagem que eles queriam passar, Something In The Way outra música com uma pegada mais calma mas que tem uma vibe bem pra baixo falando sobre as vezes que Cobain teve que dormir embaixo da ponte quando era mais novo. Para minha surpresa, essa música faz parte do trailer do filme do Batman novo, que vai sair ano que vem! Ficou bom demais esse trailer com a vibe da música. Quando eu assisti realmente me deixou arrepiado.
Enfim, com esse disco o Nirvana se tornou uma das maiores bandas de rock, desbancando até o Michael Jackson das paradas. Abriu porta para outras bandas como Pearl Jam, Alice in Chains, Stone Temple Pilots e consolidou o Grunge no mercado.
Vamos para o segundo disco, o Blood Sugar Sex Magik do nosso querido Red Hot Chili Peppers. Esse é o disco que jogou o Chili Peppers para o topo das paradas. Give It Away tocou muito na MTV e a banda se viu saindo de shows pequenos para tocar em grandes estádios e grandes festivais pelo mundo. O disco apresenta o estilo clássico da banda, o rock misturado com funk e a grande influência do Hendrix na guitarra de John Frusciante (que para alegria dos fãs, voltou para a banda em 2019). Além de Give it Away, a banda emplacou hits como Under the Bridge, Suck My Kiss e Breaking The Girl, sendo Under the Bridge uma das músicas preferidas até hoje da base de fãs do Chili Peppers.
Esses dois discos foram muito importantes para mim, sendo que na Ledbeder tocamos músicas dessas bandas em praticamente todos nossos shows, o que pra mim, particularmente, é uma alegria (espero que para os meus colegas de banda também).

29 de outubro de 2021 – Guilherme Takezo

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Indigans: e um pouco do que vai rolar esse ano!

E aí, Takezo aqui! 2025 mal começou e a gente já tem muita coisa para contar. Se tem uma palavra que define esse momento da Indigans, é movimento. Estamos lançando, tocando, viajando e, acima de tudo, realizando sonhos. Nosso disco, Quarto Quieto, sai em abril, mas já chegou fazendo barulho com os três primeiros singles.

E que começo! Um dos nossos singles foi capa de várias playlists do gênero, mas o destaque que mais nos deixou felizes foi a Indie BR da Deezer. Não só fomos capa dessa playlist, como nossa música abriu a seleção, colocando a Indigans ao lado de bandas que admiramos demais, como Fresno, Terno Rei e Menores Atos. Pra quem acompanha a cena indie nacional, sabe o peso disso. É aquele momento em que a gente sente que todo o esforço vale a pena.
Desde o início, a gente quis que esse disco fosse mais do que um conjunto de músicas soltas. Queríamos contar uma história, explorar um conceito. Quarto Quieto fala sobre conflitos internos, melancolia e solidão, temas que muitas vezes ficam presos dentro da gente, sem barulho, sem espaço para serem ditos em voz alta. Mas, com a música, conseguimos dar forma a esses sentimentos.
E não ficamos só no som, todos os singles lançados até agora ganharam videoclipes que ajudam a construir esse universo. Cada clipe é um pedaço do conceito do álbum, uma peça do quebra-cabeça que vai se completar quando o disco inteiro for lançado.
O conceito do disco foi tão além que o Thiago, nosso baterista, teve uma ideia genial: ele criou um boardgame inspirado nesse tema de conflitos internos. Cada carta do jogo representa uma música do disco. É uma forma totalmente nova e interativa de experimentar o álbum, transformando a música em algo mais imersivo.
Antes mesmo da turnê oficial, fomos convidados para alguns shows incríveis, o que significa que já vamos sentir o gostinho de tocar esse novo repertório ao vivo. A pré-turnê vai passar por Curitiba, São Paulo e Jaraguá do Sul, aquecendo os motores para o que está por vir.
E tem um detalhe que torna essa experiência ainda mais especial: dois desses shows vão ser com o Menores Atos. Se você me conhece, sabe que sou muito fã da banda, tenho até um vinil assinado por eles. Agora, dividir o palco com esses caras é surreal. Quando começamos com a Indigans, eu não imaginava que um dia estaria tocando ao lado de bandas que tanto admiro. Mas aqui estamos!
Com Quarto Quieto chegando e os shows começando a rolar, a expectativa só cresce. Estamos colocando tudo de nós nesse disco, e mal podemos esperar para que ele esteja no mundo, sendo ouvido, sentido e vivido por quem se identifica com o que cantamos.
Estamos muito felizes com o rumo que a Indigans está tomando e esperamos que vocês continuem nos acompanhando nessa jornada. Agradeço a todo mundo que nos apoia e que nos dá força para seguir em frente. Acreditamos que a música é uma forma poderosa de transformação e queremos levar nossa mensagem para o maior número de pessoas possível.
Se você ainda não ouviu os novos singles, corre lá ouvir! Fique ligado que em breve teremos mais novidades sobre o lançamento do nosso álbum “Quarto Quieto” e sobre a nossa turnê. Até a próxima!

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A volta do Linkin Park

Ei, Takezo aqui! 2024 teve vários shows, lançamentos, festivais e retornos de bandas. Escolhi falar sobre um desses retornos que foi bem marcante para mim. O retorno do Linkin Park. Se você cresceu nos anos 2000, é bem provável que saiba cantar o refrão de “In the End” como se fosse um mantra. Afinal, o Linkin Park não foi só uma banda, foi uma experiência sonora que marcou uma geração inteira. E a história deles é tão intensa quanto seus riffs e letras.
A saga começa em 1996, na Califórnia, quando três amigos, Mike Shinoda, Brad Delson e Rob Bourdon, decidiram montar uma banda. Depois de algumas mudanças de integrantes e nomes (eles já foram Xero e Hybrid Theory antes de Linkin Park), o time se completou com o carismático Chester Bennington nos vocais, Dave “Phoenix” Farrell no baixo e Joe Hahn como DJ. Com o lançamento do álbum de estreia “Hybrid Theory” em 2000, o Linkin Park explodiu. Esse foi um dos primeiros cds que tive na vida, lembro de ir numa loja com meu pai para comprar ele! Eu ouvi o dia inteiro aqui em casa, tenho ele guardado na minha coleção até hoje. A mistura única de rock, rap e eletrônico conquistou fãs que nem sabiam que gostavam de nu metal. O sucesso foi instantâneo: “Hybrid Theory” vendeu mais de 30 milhões de cópias e se tornou um dos álbuns de estreia mais vendidos de todos os tempos. A banda não parou por aí.
Se tem uma coisa que o Linkin Park nunca fez, foi se prender a uma fórmula. Depois do sucesso estrondoso, eles lançaram “Meteora” (2003), que trouxe hits como “Numb” e “Somewhere I Belong”. Era a sequência perfeita para solidificar o estilo único deles. O “Meteora” foi outro disco que ouvi até riscar inteiro, também tenho ele guardado até hoje. Mas o que realmente destacou o Linkin Park foi sua coragem de mudar. Em álbuns como “Minutes to Midnight” (2007) e “A Thousand Suns” (2010), eles experimentaram com novas sonoridades, indo do rock pesado a paisagens sonoras eletrônicas quase cinematográficas. Nem todo mundo entendeu as mudanças de primeira (até hoje tem gente que não entende), mas essa capacidade de reinvenção é o que manteve a banda relevante ao longo dos anos.
A banda não era só sobre música. Eles tinham algo a dizer. Muitas das letras de Chester eram profundamente pessoais, abordando temas como dor, solidão e superação. Isso criou uma conexão única com os fãs, especialmente aqueles que se sentiam incompreendidos. Além disso, o Linkin Park usou sua influência para fazer o bem. Criaram a fundação Music for Relief para ajudar vítimas de desastres naturais e foram grandes defensores de causas sociais.
Em 2017, o mundo do rock foi abalado pela perda de Chester Bennington, que tirou a própria vida. Foi um momento devastador para os fãs e para a música em geral. Chester não era só um vocalista incrível, ele era a alma do Linkin Park, com uma presença de palco magnética e uma vulnerabilidade que transformava cada música em algo especial.
Mas em 2024 apareceu um nome novo para a história do Linkin Park, Emily Armstrong. Emily Armstrong é vocalista e co-fundadora da banda Dead Sara, conhecida por sua voz poderosa e energia explosiva no palco. Nascida em Los Angeles, ela cresceu cercada por influências musicais variadas e encontrou no rock sua verdadeira paixão. Há poucos meses atrás ela foi anunciada como nova vocalista do Linkin Park. A forma como ela foi anunciada foi muito legal, direto do palco em um show da banda. Ela já chegou quebrando tudo, mostrando toda sua capacidade vocal, tanto nos gritos mais agressivos quanto nos vocais mais suaves.
Depois do anúncio da entrada da Emily, a banda não parou mais. Anunciaram turnê mundial e disco de músicas inéditas. O disco foi lançado em 15 de novembro, bem no dia do show deles em São Paulo. O show teve transmissão pelo canal Multishow, eu assisti aqui em casa e foi sensacional, toda estrutura de palco, interação com o público, a performance impecável da banda e o repertório de músicas clássicas com músicas do disco novo foi realmente sensacional. O disco novo merece uma conversa só pra ele. Gostei muito do que eu ouvi nessa nova fase da banda. Eles pegaram a época de ouro da banda e deram uma roupagem atual para as músicas, realmente curti muito o álbum, podemos falar melhor sobre ele em uma próxima coluna!
E aqui estamos, anos depois, vendo o Linkin Park ainda impactar o mundo com sua música e sua essência única. Com seu retorno, fica claro que o legado da banda não só sobrevive, mas continua a evoluir.

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Djavan: Entre Acordes e Poesia

Ei, Takezo aqui! Este mês, vamos desviar um pouco das guitarras distorcidas e amplificadores valvulados para mergulhar na suavidade e profundidade de Djavan, um dos maiores nomes da música brasileira. Se você acha que é só rock que faz o coração bater mais forte, prepare-se para repensar essa ideia. Djavan é a prova viva de que a música não precisa de rótulos; ela só precisa tocar a alma.

Djavan nasceu em Maceió, em 1949, é um mestre na arte de transformar emoções em melodias. Com uma carreira que se estende por mais de quatro décadas, ele se estabeleceu como um dos artistas mais versáteis e inovadores do Brasil. O cara consegue misturar MPB, jazz, samba, bossa nova e até elementos do pop com uma naturalidade que faz a gente se perguntar como não pensaram nisso antes.
Mas o que faz Djavan ser tão especial? A resposta está no equilíbrio perfeito entre poesia e melodia. As letras dele são verdadeiras obras de arte, onde cada palavra é escolhida a dedo para criar uma vibe única. Em canções como “Sina”, “Oceano” e “Flor de Lis”, Djavan nos leva para um passeio pelas paisagens de suas emoções, onde o mar, o céu e a natureza são metáforas para as complexidades do amor e da vida. E é impossível não se deixar levar pelas melodias que ele cria, cheias de acordes inusitados e harmonias sofisticadas, que são a marca registrada de seu estilo. Esses dias tirei um tempo para estudar algumas músicas dele, e cara, fiquei espantado como as sequências de acordes são lindas e complexas, como as letras são belas e profundas, como tudo na música se encaixa perfeitamente.
E se a gente acha que o rock é o único gênero que sabe improvisar, Djavan vem e mostra que a música brasileira também tem suas jams. O cara tem uma habilidade incrível para criar variações melódicas e harmônicas que surpreendem até os ouvidos mais experientes. É como se ele estivesse sempre em busca de novas formas de expressar as mesmas emoções, e cada vez que ele tenta, acerta em cheio. Além de ser um ótimo cantor e compositor, Djavan também é um grande instrumentista. Sua habilidade no violão é algo que merece destaque, com uma técnica refinada que equilibra a delicadeza e a complexidade. Ele faz parecer fácil o que é, na verdade, extremamente difícil: criar arranjos que soam simples, mas que são repletos de nuances e detalhes.
E não dá para falar de Djavan sem mencionar a importância dele para a música brasileira e para a cultura do país. Suas canções têm um apelo universal, mas nunca perdem a essência brasileira. Ele conseguiu mandar a música do Brasil para o mundo, sem abrir mão de sua identidade. Djavan é aquele artista que consegue dialogar com diferentes gerações, passando sua arte de forma atemporal.
Em resumo, Djavan é um verdadeiro mestre dos sons e das palavras. Ele nos ensina que a música não precisa ser barulhenta para ser poderosa, e que a suavidade pode ser tão impactante quanto o mais estridente dos solos de guitarra. Então, mesmo que o rock seja a nossa praia, este mês vamos tirar o chapéu para Djavan, um artista que continua a enriquecer a nossa cultura e a nos mostrar que a música brasileira tem um lugar especial no cenário mundial. Se você ainda não deu uma chance para Djavan, talvez seja a hora de apertar o play e deixar que as ondas sonoras te levem para lugares onde só a música pode chegar.

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