Olá, eu sou o Guilherme Takezo, vocalista e guitarrista de uma banda chamada Ledbeder (se não conhece dá uma ouvida no Youtube começa pela música chamada Insiste). Há uns dias, a artista Marília Mendonça faleceu em um acidente de avião, fato muito triste, ela era muito nova e querida pelo público em geral. O país inteiro ficou comovido com esse infeliz acidente e isso me fez pensar em como a gente se conecta com os artistas mesmo sem nunca ter chegado perto deles. Hoje em dia isso, de certa forma, deve ser ainda mais forte, devido às redes sociais. As pessoas acompanham o dia a dia dos artistas, acabam conhecendo a parte por trás das câmeras, como elas são longe dos microfones, o que fazem no tempo livre (essa última frase me fez lembrar do meme do Globo Repórter, “o que são, o que fazem, de que se alimentam e como se reproduzem”… Desculpa, vamos voltar para o assunto inicial). Esse contato mais íntimo aproxima ainda mais o público do artista, isso faz com que se sintam conhecidos e até amigos, pelo fato de ver o famoso em questão contando de seus hobbies e das bobeiras que rolaram durante a tarde em um estúdio ou no mercado comprando papel higiênico. Isso realmente aproxima, quer ver só? Com quantos amigos você conversa diariamente sobre tudo que aconteceu no seu dia ou no seu trabalho? Aposto que para a grande maioria a resposta é que são poucos. Muitas vezes você acaba sabendo mais sobre a rotina do artista do que do seu amigo próximo. Então, de certa forma, você acaba se sentindo próximo a essa pessoa. Tirando essa questão, vem o mais importante: a conexão que o artista cria através da sua arte (música, nesse caso, vou acabar falando mais sobre os músicos, porque, afinal, essa é uma coluna de música, não é?). É muito mágica essa conexão criada através da música, isso envolve toda a mensagem que o artista quer passar através da letra e dos sons em si, toda a vibe da música, uma atmosfera mais sombria ou mais alegre. Dependendo do momento em que você se encontra, isso faz você se conectar demais! Imagina um dia em que você está mais para baixo, está chovendo lá fora e está rolando no som da sua sala de estar Wish You Were Here do Pink Floyd. Rola uma conexão com essa vibe mais melancólica e triste. Essas conexões criadas com várias músicas do artista, e, repetidas várias e várias vezes, faz você ter um carinho por esse músico, você acaba virando um fã
Então é totalmente compreensível que as pessoas sintam uma grande tristeza quando uma fatalidade, como a da Marília Mendonça, acontece. O público realmente fica de luto, afinal, a pessoa que morreu é a mesma pessoa que criou toda essa conexão com você através da música ou das redes sociais. Eu não era nascido na época, mas, como um grande fã dos Beatles, fico imaginando como foi um dia você acordar e receber a notícia que o John Lennon foi assassinado por um lunático… Deve ter sido muito difícil, meus amigos. Quando eu era mais novo, tinha acabado de começar a ouvir os Beatles e soube que ele tinha sido assassinado, fiquei triste, imagina então como foi receber essa bomba no dia em que realmente aconteceu. Imagina como foi ligar a TV e ver que o Kurt Cobain tinha se matado, pesado demais, não é? É triste falar disso. Nos últimos anos, perdemos outros grandes artistas dessa forma e esses eu me lembro muito bem como foi receber a notícia. O suicídio do Chris Cornell e do Chester Bennington do Linkin Park… Meus amigos, o do Chester foi pesado demais para mim. Eu lembro que eu estava no mercado e fui mexer no celular, quando vi a notícia em algum site ou rede social. De primeira eu pensei que poderia ser mentira, não é incomum surgir essas fake news de morte de artista, mas vários sites começaram a divulgar a mesma coisa, então a chance de ser real era bem grande. Quando confirmei que realmente aconteceu, eu fiquei mal por muito tempo, afinal ele era aquele cara que dizia todas as coisas que eu sentia em suas letras e era o cara com quem eu gritava junto nos refrões por toda minha adolescência, ele foi uma grande inspiração para eu entrar na música.
Então podemos concordar que é triste e compreensível as pessoas se sentirem mal quando seu ídolo morre. Se você não entende, pode ser que algo com você não esteja muito certo, meu amigo. O que devemos fazer é não deixar a memória desse artista morrer, continuar lembrando com carinho de sua obra e escutar seu trabalho como sempre fizemos.
26 de novembro de 2021 – Guilherme Takezo