BREVES HISTÓRIAS
O que teria sido de nós?

Li recentemente o livro, A fábrica de cretinos digitais, de autoria do sociólogo francês, Michel Desmurget.
Nas mais de 400 páginas o autor discorre sobre os malefícios do abuso da Internet, principalmente, em crianças e adolescentes. Desmurget comprova, por meio de pesquisas, que pela primeira em várias décadas, essa geração tem um QI menor que o de seus pais.
Nessa mesma premissa, vou começar a ler nos próximos dias, A geração ansiosa – Como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais, de autoria Jonathan Haidt.
O autor vai na mesma toada de Desmurget e analisa o, suposto, colapso mental da juventude e sugere medidas para uma infância mais saudável e livre de telas.
Embora o assunto seja instigante e perturbador, não me acho abalizado para discuti-lo por aqui, deixando-o ao encargo de minha amiga e também colunista de Caiçara, Maris Stela Stelmachuk, doutora em Psicologia e com anos de experiência.
Dessa forma, meus caríssimos e poucos, mas fiéis leitores, devem estar se perguntando porque abordei o assunto.
Posso explicar. A leitura do primeiro livro aqui mencionado, assim como de artigos e mesmo filmes sobre o assunto, me remeteu a minha adolescência, ou mais especificamente, a meus longínquos 15 anos, quando já disse por aqui, comecei a abandonar a bola de futebol, substituindo-a pelas primeiras paixões juvenis.
Como também já contei aqui nas páginas de Caiçara, minha primeira paixão juvenil foi por uma menina de nome Maristela. Como não tenho autorização dela, por que nunca falei com ela em toda minha vida, embora ela seja moradora de União da Vitória, omito seu sobrenome.
Ela como eu estudava no Túlio de França, acho que uma série depois de mim, embora fosse dois anos mais nova do que eu.
Volto a contar que tanto nos recreios das aulas, como na saída do colégio, nos olhávamos, mutuamente, mas nada de conversarmos. Acho que isso durou alguns meses. Como também já contei por aqui, certo dia, após o término das aulas, eu e Nivaldo Camargo, meu inseparável amigo, subíamos a Manoel Ribas, andando uns 20 metros atrás de Maristela e de Débora, sua também inseparável amiga, de repente elas se viraram e vieram em nossa direção. Apavorados entramos em uma loja, evitando assim o encontro. Não tenho certeza, pois aí já se vão mais de 50 anos, mas acho que foi aí que nosso caso nunca começado, tenha acabado.
Logo depois disso, ou talvez antes disso, eu Nivaldo e Paulo Murara, outro grande amigo, começamos a nos interessar por Rosa, uma linda garotinha que morava próxima de nós. Nenhum dos três teve a coragem de falar com ela, até que, em algum momento de 1973, ela se mudou da cidade.
Logo depois disso, já em 1974, eu ficava fascinado com a garotinha da bicicleta verde, que dava voltas e mais voltas em sua quadra e passava por mim, cada vez mais magnetizado por sua beleza e leveza. Para mim ela não andava em sua bicicleta, mas voava. Era Rossandra Monteiro da Cunha, hoje Codagnone e hoje minha amiga e que me autorizou a declinar seu nome.
Meu primeiro contato, com minha primeira namorada, Sônia Carneiro, foi por meio de um ex-vizinho e então vizinho dela e depois por bilhetes e até por um walkie talkie que eu e meu amigo Edson Mendes, compramos em sociedade. Com o precário alcance do aparelho e como eu já morava aqui na Barão do Cerro Azul e ela no Bairro São Bernardo, deixei o meu rádio com ela, enquanto eu falava com ela da casa de Edson, que era seu vizinho.
Meu querido leitor/leitora ainda deve estar se perguntando o que isso tem a ver com a Internet, que abordo no início dessas mal traçadas linhas?
Tem tudo a ver, ou melhor, como eu teria agido se naquela época, já houvesse telefone celular e redes sociais.
Será que protegido pela distância física eu teria tido coragem de falar com Maristela, Rosa e Rossandra, pelo Whats App ou Facebook?
Boa pergunta, mas impossível de responder. Mas lembrando de como eu era, acho que continuaria sem coragem para um primeiro contato. Acho, por outro lado, que enviaria músicas, esperando receber um sinal qualquer para depois efetivar o contato.
Com Sônia já teria sido diferente, e eu já do alto de meus 16 anos, e muito menos introvertido, teria trocado os radiotransmissores e os indefectíveis bilhetes pelo Whats App.
E você caro leitor/leitora, o que teria feito em situação semelhante a minha?
Até a próxima.
Veja Também
BREVES HISTÓRIAS
Uma estrela a mais no firmamento


O polêmico, controverso e competentíssimo professor de Educação Física, treinador e um dos maiores formadores de atletas dos estados, de Santa Catarina e Paraná, Jorge Sérgio Schwartz, faleceu no dia 4 de janeiro de 2025, consternando as cidades irmãs.
Jorge por mais de 40 anos emprestou seu talento e sua pena afiada como uma navalha às páginas de Caiçara, onde assinou sua coluna Sem Censura.
Em 2020, Jorge trocaria as páginas de Caiçara, mediante divergências ideológicas, pelas páginas do Jornal O Iguassu, de propriedade de meu amigo, Claudio Gugelmin.
A última vez que vi Jorge, foi durante a projeção do filme Ainda estou aqui, em dezembro de 2024, no Cine Gracher, em Porto União
Ao término do filme, quando subiam os créditos, puxei os aplausos e ainda gritei: Ditadura nunca mais. Jorge que estava perto de nós, também se incorporou aos aplausos.
Esse meu caro amigo deixa uma lacuna impreenchível nos meios esportivos e jornalísticos regionais e estaduais e por que não nacionais, porque elevou quase ao máximo o nome de Porto União no cenário do Basquetebol feminino brasileiro
Em meu livro de crônicas, Meus caros amigos, publicado em 2014, escrevi uma crônica em homenagem a Jorge e que transcrevo a seguir, prestando, dessa forma, minha última homenagem ao amigo e endereçando, minhas condolências a seus familiares.
Um fim de tarde ao som de Travessia
Na manhã de terça-feira, 13 de outubro, enquanto trabalhava, ouvia algumas canções armazenadas na memória de meu micro e eis que me deparo com “Bridges”, com Sarah Vaughan e Milton Nascimento. “Bridges” nada mais é que a versão em inglês da magnífica “Travessia”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, que compôs um belíssimo disco da inigualável Sarah Vaughan em homenagem à música popular brasileira
Sempre achei “Travessia” uma das mais belas canções brasileiras e ainda garoto, na época dos festivais, fiquei pra lá de indignado, quando em 1967 ela foi derrotada no II Festival Internacional da Canção Popular, por “Margarida”, de Gutemberg Guarabira, também uma bela canção, mas muito aquém de “Travessia”.
Essa versão com Saraha Vaughan a que me refiro ouvi na casa de meu dileto amigo, Orleans Antunes de Oliveira Filho, a quem já dediquei uma de minhas crônicas e a quem recentemente homenageei, oferecendo a canção “What´s new”, um dos mais belos standards da canção americana, quando aqui estiveram se apresentando no Bistrô da Cultura, Saul Trumpet, Fernando Montanari e Gerson Bientine
Como “Bridges”, também ouvi pela primeira vez na casa de Orleans a versão de “What’s new”, na voz da cantora de country music, Linda Ronstadt, que gravou um disco com algumas das mais belas torch songs da canção americana, tendo ao seu lado a fantástica orquestra de Nelson Riddle, que por muitos anos acompanhou Frank Sinatra.
Mas voltando à manhã de 13 de outubro e à “Travessia”, um de seus mais belos registros me foi propiciado por meu amigo Jorge Sérgio Schwartz
No final de 1993, alguns dias após o término de meu primeiro casamento eu estava em minha casa em um fim de tarde de verão, limpando a piscina, ouvindo música e tomando um scotch, quando ouço um carro entrar na garagem. Nem fui ver quem era pois eu já deixava a porta da garagem aberta naquela hora do dia em que sempre recebia amigos para um happy hour
Ouço uma música e vou ver de que se trata. Encontro Jorge Sérgio Schwartz com seu indefectível acordeão em punho, adentrando em minha casa e tocando “Travessia” que, com sua emblemática letra, dizia muito naquele momento de minha vida.
Jorge foi sem dúvida o autor de uma das mais belas e inesperadas homenagens que recebi ao longo de minha vida
Tomamos o litro de Chivas que ali estava acompanhado por uns canapés, esperando a chegada de alguns outros amigos que vinham para a sessão diária de bate-papo
Diante de tudo isso e da data, 13 de outubro, um dia após o aniversário de meu amigo Jorge, procuro, de forma bem menos inspirada, homenageá-lo, dedicando-lhe essa crônica.
Vida longa caro amigo.
BREVES HISTÓRIAS
Ainda estamos aqui


Há mais ou menos duas semanas, fui com Margarete e alguns amigos assistir o belo e pungente, Ainda estou aqui, de Walter Salles Jr.
Margarete tentou comprar o ingresso pela Internet e por algum bug do site, não conseguiu. Resolvemos no sábado ir até lá e comprarmos os ingressos para a sessão das 17h, de segunda-feira. Chegando lá fomos informados que não é possível comprar ingressos antecipados para outro dia. Acabamos desenvolvendo uma conversa com um rapaz que estava na bilheteria e aproveitei para indagá-lo se os filmes, A substância e Megalopolis, seriam exibidos aqui. A resposta foi não, o que motivou a fazer nova indagação. Por que aqui, basicamente, somente são exibidos blockbuster, comédias e filmes infantis, não sobrando quase nunca espaço para filmes de temáticas mais reflexivas. Recebemos como resposta que o fato de Porto União possuir apenas três salas, enquanto outras cidades que também tem o Cine Gracher, possuem quatro salas, o que facilita a exibição de filmes como, A substância, por exemplo. Também ficamos sabendo que aqui, tais filmes cumprem más performances de bilheteria e que também é onde o público mais solicita filmes dublados.
Fiquei ainda mais perplexo ao saber que um cidadão retirou de um display do filme, A freira, um crucifixo, alegando que se tratava de propaganda ofensiva a religião católica. Minha perplexidade e indignação aumentou ao saber que uma comitiva de mães foi até o cinema para solicitar a retirada do último Toy story. Em que em certo momento, duas meninas dão as mãos e seguem caminhando. A tal obtusa comitiva, parece que saindo da Idade Média, alegou que tal cena era ofensiva a moral e aos bons costumes e a coisa não parou por aí. Outra comitiva foi solicitar que a nova versão de A arca de Noé, não fosse exibida aqui porque distorcia uma parábola bíblica, trazendo-a para os dias atuais.
Como sou um provocador, aproveitei para dizer que o conservadorismo e a hipocrisia da extrema direita, além de acéfalo, não tem limites.
Mas falemos um pouco de Ainda estou aqui, que narra a obstinada luta da grande brasileira, Eunice Paiva, primeiro para saber o paradeiro de seu marido, Rubens Paiva, covardemente arrancado de sua casa, em janeiro de 1971, por gorilas militares, sem nenhuma justificativa plausível. Eunice lutou tenazmente com as armas que tinha, até que em 1996, já no governo de Fernando Henrique Cardoso, conseguiu, mesmo sem um corpo, que jamais foi encontrado, finalmente, obter o Atestado de Óbito.
Eunice foi uma das grandes artífices do movimento pela anistia, que em mais uma terrível manobra da ditadura, também anistiou os torturadores e assassinos que agiam em nome do regime covarde e brutal que com a promulgação da Lei de Anistia, contrariou resolução da ONU que determina que crimes contra a humanidade são imprescritíveis.
A Presidente Dilma Roussef, tentou anular a Lei de Anistia e punir os praticantes de atos vis e covardes de tortura. Sua solicitação foi protocolada no STF, que estranhamente a negou, mantendo impunes os torturadores.
Na sessão em que estávamos não havia mais de 20 pessoas, que não pouparam aplausos no final do filme. Eu por minha vez, indignado, não pude deixar de gritar: Ditadura nunca mais.
E para aqueles que se diziam os corajosos e intentaram contra o estado de direito, tentando derrubar um governo legítima e democraticamente constituído e que agora acovardados temendo as prisões que a cada dia se avizinham, lembro, Ainda estamos aqui e não descansaremos até que o último golpista seja, severamente, punido.
Lágrimas
Para o falecimento do velho comunista, professor Ciro Costa, pai de minha querida amiga, Desiré e, do médico, Arthur Costa, ocorrido em 11 de outubro de 2024. Ciro foi mais uma vítima da sanha ignóbil da ditadura militar. Foi preso em 1969, condenado a um ano de prisão e teve seus direitos políticos cassados, apenas por que havia sido no início dos anos 60, um dos fundadores do PCB – Partido Comunista Brasileiro em União da Vitória. Cumpriu sua pena inicialmente em Curitiba e, posteriormente, aqui em Porto União.
Esse foi mais um ato vergonhoso praticado por um regime de exceção, que ainda é saudado por brasileiros desprovidos de consciência histórica, de qualquer espécie de compaixão e de tolerância, ao contrário enaltecem personagens nefastos como Bolsonaro, que em seus quatro anos de desgoverno, exaltou o preconceito, a intolerância e a negação da ciência, da arte, da cultura e da educação.
As outras lágrimas vão para o falecimento de minha caríssima amiga Jana Portes, ocorrido em 2 de novembro. Jana é esposa de meu grande amigo Renato Portes, a quem fui abraçar no infausto acontecimento.
Reencontro
Ainda no velório de Jana, fiquei feliz ao reencontrar meu caro amigo, Jonas Godinho, com quem não falava já há algum tempo, motivado por desentendimento que tivemos.
Em 1989, a convite de meu dileto amigo, Carlos Alberto Santos, ingressei no Clube das Terças, onde lá estavam outros caros amigos como, Renato Portes, Márcio Monte, Gilberto Brittes, Cezar Lemos, Ary Carneiro Jr, Brittes Antônio Brittes e Jonas Godinho, entre outros. Logo em seguida, tornei-me sócio do Avahi Futebol Clube, novamente, levado por Carlos Alberto Santos, Renato Portes e Márcio Monte.
Na Festa de Natal do Avahi, em 1993, fiz talvez minha primeira aparição pública com minha então namorada Margarete Schwab, hoje minha esposa.
Como chegamos um pouco atrasados, o salão já estava, praticamente, lotado e ao darmos os primeiros passos em direção à nossa mesa, onde Carlos Santos e sua então esposa, Margarete Pereira Bozza, nos aguardavam, fomos surpreendidos pelos acordes da bela e emblemática, para nós, canção de Ivan Lins e Vitor Martins, Começar de novo, a nós dedicada pelo querido amigo Jonas Godinho.
Nos primeiros dias de 1994, Marga e eu ainda ensaiando os passos iniciais de nossa relação, certa noite após um jantar no Avahi, quando por lá estávamos, já no início da madrugada, apenas eu, Jonas, Eloi Lara, outro grande e antigo amigo, e, Alceu Schwegler, também caro amigo, depois de umas biritas e muita música, tirada nos violões de Jonas, Eloi e Alceu, decidi fazer uma serenata para Marga, que morava na Rua Benjamin Constant, no prédio onde havia funcionado o Correio.
Entramos no corredor que dava acesso à porta principal e mandamos um samba para acordar minha doce namorada. Quando as luzes se acenderam, Jonas e Eloi deram os primeiros acordes de, Eu sei que vou te amar, já com Marga na porta nos recebendo.
Foi uma noite memorável que devo ao talento e sensibilidade de meus caros amigos, Alceu, Eloi e Jonas, que repito, fiquei muito feliz em reencontrar.
BREVES HISTÓRIAS
Não se vencem eleições na véspera

Como nos aproximamos de mais um pleito municipal, lembrei das eleições de União da Vitória em 1988.
Nesse aludido ano fui um dos coordenadores da campanha de meu amigo Gilberto Brittes à Prefeitura Municipal e também atuei na coordenação da campanha para vereador de outro dileto amigo, Mário Patruni.
Gilberto Brittes acabou derrotado por Mário Riesemberg, enquanto Mário Patruni foi eleito vereador pelo PTB, com 396 votos. O PTB também elegeu nesse ano Hussein Bakri e Décio Pacheco.
A bem sucedida campanha de Mário Patruni foi ancorada, primeiramente, no excelente trabalho que ele fazia na direção da empresa Ivo Kerber, propiciando que ela apresentasse sensível crescimento naquele período. O que também contribuiu muito para a eleição de Mário, foi sua notável performance como dirigente esportivo. Mário montou um verdadeiro esquadrão de futebol de salão na empresa Ivo Kerber, que foi campeã paranaense dos Jogos do SESI.
Naquele período, mais ou menos em 86 ou 87, Mário foi candidato à presidência do Clube Aliança, enfrentando a poderosa chapa da situação, encabeçada por Olaf Sohn, sucessor de Antônio Swierk, cujo grupo, há muitos anos dirigia o Clube. Foi uma eleição muito acirrada e Mário perdeu por pequena margem de votos.
Cabe aqui ressaltar que a profícua atuação de Mário como vereador, fez com que ele quase triplicasse sua votação nas eleições de 1992, quando ele chegou próximo dos 800 votos.
Acompanhei de perto a atuação de Mário como vereador e dessa forma ainda lembro de alguns de seus projetos, que foram transformados em importantes Leis, como Vereador por um dia, Disque Câmara e a Fila especial nos bancos para idosos, gestantes e portadores de deficiência.
Mas o título desse breve relato prende-se ao fato de que terminada a apuração dos votos, que era realizada no Ginásio de Esportes Isael Pastuch, com os votos ainda impressos, Mário acabou não sendo eleito, apenas se elegendo pelo PTB, Hussein Bakri, o mais votado daquele pleito, com mais de 1000 votos e Décio Pacheco, com 800 votos.
O candidato Airton Maltauro Filho, que se não me engano, concorreu pelo PDS acabou eleito com essa legenda, ultrapassando o quociente eleitoral, por apenas alguns votos.
Saímos do Ginásio já desolados com a derrota de Gilberto Brittes e ainda mais cabisbaixos com a não eleição de Mário. Como eu era um razoável conhecedor da fórmula pela qual se calcula o quociente eleitoral, assim como o quociente partidário e de posse da votação nominal de todos os candidatos e dos votos atribuídos apenas às legendas, ao chegar em casa resolvi refazer os cálculos e eis que após vários recálculos, observei que o partido pelo qual Maltauro Filho havia concorrido, na verdade não atingira votos suficientes, ficando abaixo do quociente eleitoral.
Fui imediatamente à casa de Mário, com os cálculos nas mãos e disse que precisávamos interpor, imediatamente, um recurso solicitando a recontagem de votos, especificamente, do partido pelo qual concorrera Maltauro Filho.
Fomos até o Distrito de São Cristóvão, onde residia, Wilson da Silva, então presidente do PTB. Expliquei a situação e solicitei papel timbrado do partido, já assinado em branco, para que eu escrevesse o recurso. Fomos para minha casa, escrevi o recurso e levamos em mãos para Walter Ressel, então Juiz eleitoral.
Os votos foram recontados e de fato o partido de Maltauro não havia atingido o número de votos suficientes para a configuração do quociente eleitoral.
Portanto, Maltauro, que já comemorava a vitória no Barril 2001, não foi eleito, sendo eleito Mário Cesar Patruni.
Finalizo voltando ao título desse breve texto, afirmando com todas as letras, que eleição não se vence na véspera e, às vezes, nem no próprio dia.
E ainda existem negacionistas da extrema direita que advogam a volta do voto impresso.
Com o voto digital isso jamais teria acontecido.